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Migração líquida no Reino Unido bateu recorde de 606.000 pessoas em 2022
A migração líquida para o Reino Unido atingiu um recorde de 606.000 pessoas em 2022, de acordo com os dados anunciados nesta quinta-feira (25), o que aumenta a pressão sobre um governo conservador que, apesar de suas promessas, não consegue reduzir as chegadas de estrangeiros.
"Os números são muito elevados, é simples assim. E quero reduzi-los", disse o primeiro-ministro Rishi Sunak à ITV, após o anúncio dos dados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês).
O organismo independente calculou a imigração total em 2022 em 1,2 milhão de pessoas e a emigração em 557.000, "o que significa que a migração continua fazendo a população aumentar, com migração líquida de 606.000" pessoas. Em 2021, a migração líquida foi de 488.000 pessoas.
No ano passado, a maioria dos que chegaram legalmente ao Reino Unido para permanecer no país procedia de fora da União Europeia (925.000). Os imigrantes originários da UE foram 151.000, de acordo com o ONS.
"Uma série de acontecimentos mundiais sem precedentes ao longo de 2022 e o fim das restrições após a pandemia de coronavírus (covid-19) provocaram níveis recordes de imigração internacional", explicou o diretor do ONS, Jay Lindop.
Há anos, a imigração é uma questão politicamente controversa no Reino Unido. O tema foi um dos principais campos de batalha do referendo que, em 2016, conduziu o país rumo ao Brexit, a saída do bloco comunitário efetivada em janeiro de 2021.
E já se anuncia como um dos principais temas da campanha para as eleições legislativas marcadas para o fim de 2024.
- "Controle do sistema migratório" -
"O governo perdeu completamente o controle do sistema migratório", criticou o parlamentar trabalhista Stephen Kinnock, secretário para questões migratórias no principal partido de oposição, em entrevista ao canal Sky News.
Os sucessivos governos conservadores prometeram "recuperar o controle" das fronteiras após o Brexit, mas os níveis de imigração, legal e em situação ilegal, não param de aumentar. Em 2022, mais de 45.000 pessoas chegaram ao país de forma irregular, outro número recorde que Sunak, no poder desde outubro, prometeu reduzir.
No plano jurídico, o primeiro-ministro destacou as medidas anunciadas esta semana para limitar o reagrupamento familiar de estudantes internacionais. A partir de janeiro, apenas pesquisadores de pós-graduação poderão chegar ao país com familiares dependentes. Além disso, os estudantes estrangeiros não poderão mudar de visto de estudante para visto de trabalho antes de concluírem sua formação.
Estas medidas "são mais eficazes do que qualquer coisa anunciada anteriormente em matéria de luta contra a imigração", declarou Sunak.
Em 2022, o Reino Unido emitiu 136.000 vistos para familiares dependentes de estudantes estrangeiros, contra 16.000 em 2019, de acordo com os números do Executivo.
- Escassez de mão de obra -
Em 2022, "os principais impulsionadores do aumento" no número líquido de imigrantes "foram as pessoas que chegaram ao Reino Unido procedentes de países não pertencentes à UE por motivos de trabalho, estudos e razões humanitárias, incluindo as procedentes de Ucrânia e Hong Kong", disse Lindop.
"Pela primeira vez desde que usamos nossos novos métodos para medir a migração, também incluímos os demandantes de asilo em nossas estimativas, já que aproximadamente 1 em cada 12 migrantes extracomunitários chega por esta via", acrescentou.
Um dos antecessores de Sunak, Boris Johnson, estabeleceu um acordo com Ruanda, país africano localizado a 6.500 km de Londres, para enviar alguns demandantes de asilo para esta nação. Esta é a principal política defendida pela atual ministra do Interior, a ultraconservadora Suella Braverman. No momento, porém, o projeto está paralisado, à espera de decisões da Justiça, após a apresentação de recursos de várias ONGs.
Enquanto o governo promete reduzir a chegada de trabalhadores estrangeiros, o país sofre uma grave escassez de mão de obra, e as empresas reivindicam a flexibilização dos vistos de trabalho para preencher as vagas em setores como agricultura, restaurantes e transporte rodoviário.
O Reino Unido pode formar seus próprios enfermeiros, ou motoristas de caminhão, disse Sunak à ITV. "A população quer saber: 'Vocês também estão formando as pessoas aqui para fazer estes trabalhos?' Estamos", concluiu.
N.Fournier--BTB