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Doadores prometem cerca de US$ 1,5 bi ao Sudão, envolto em 'morte e destruição'
A comunidade internacional prometeu, nesta segunda-feira (19), 1,5 bilhão de dólares (R$ 7,16 bilhões na cotação atual) em ajuda para responder à crise humanitária no Sudão, envolto em uma espiral de "morte e destruição" desde o início do conflito, há dois meses.
"Hoje, os doadores anunciaram cerca de 1,5 bilhão de dólares para a resposta humanitária no Sudão e na região", disse o secretário-geral adjunto de Assuntos Humanitários da ONU, Martin Griffiths, após uma conferência de doadores em Genebra.
O encontro coincidiu com um cessar-fogo de três dias no país africano, onde os combates opõem desde 15 de abril o comandante do exército, general Fatah al Burhan, aos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR), comandadas pelo general Mohamed Hamdan Daglo.
Embora Griffiths tenha agradecido a generosidade dos doadores, o valor prometido representa apenas metade do total reivindicado pelas agências humanitárias para este ano.
Até agora, a ONU só havia recebido 17% dos US$ 3 bilhões (R$ 14,3 bilhões) requeridos.
A organização internacional ressalta que 25 milhões de pessoas - metade da população - dependem de ajuda humanitária para sobreviver.
"Esta crise exigirá um apoio financeiro sustentado e espero que todos possamos manter o Sudão no topo da nossa agenda", exortou Griffiths.
- "Morte e destruição" -
Apesar da trégua, o secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou que o Sudão está mergulhando em uma espiral de "morte e destruição" a uma velocidade "sem precedentes".
"Sem um apoio internacional forte, o Sudão poderia se tornar rapidamente em um local de anarquia, causador de insegurança em toda a região", alertou.
A guerra já matou mais de 2.000 pessoas, segundo a ONG ACLED, e deixou mais de 2,5 milhões de deslocados e refugiados, segundo a ONU.
A Alemanha, co-anfitriã da conferência juntamente com União Europeia, Catar, Egito e Arábia Saudita, prometeu doar 200 milhões de euros (1,04 bilhão de reais na cotação atual) até 2024.
O Catar prometeu US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 239 milhões) e a UE, 190 milhões de euros (cerca de 992 milhões de reais) em ajuda humanitária e para o desenvolvimento.
- Cessar-fogo -
A trégua atual entrou em vigor às 6h locais (01h de Brasília) de domingo. As duas partes em conflito concordaram em respeitar o cessar-fogo, apesar de as tréguas anteriores terem sido violadas sistematicamente.
Várias testemunhas consultadas nesta segunda-feira em Cartum afirmaram que não foi ouvido nenhum confronto na capital sudanesa, de cinco milhões de habitantes.
O objetivo do cessar-fogo é permitir a livre circulação e a entrega de ajuda no país, um dos mais pobres do mundo.
Falta de tudo. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou nesta segunda que a próxima temporada de chuvas aumenta o temor de novas epidemias.
A organização advertiu para o acúmulo de lixo no país e que em algumas regiões de difícil acesso, os corpos jazem ao ar livre.
- "Desastre humanitário" em Darfur -
A situação é especialmente preocupante na região de Darfur, no oeste do país, na fronteira com o Chade.
Os confrontos nesta área opõem os militares e os paramilitares, mas também civis armados.
Durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos sobre o Sudão, realizada nesta segunda, o embaixador britânico, Simon Manley, se disse "especialmente horrorizado com os informes de aumento da violência étnica, a violência sexual e de gênero em algumas partes de Darfur".
Darfur, que já foi devastada por uma guerra civil no começo dos anos 2000, caminha para um novo "desastre humanitário", alertou na quinta-feira o secretário-geral adjunto para assuntos humanitários da ONU, Martin Griffiths.
Relatos de ataques em massa contra civis se multiplicam nesta região e mais de 150 mil pessoas fugiram para o Chade desde o início dos combates, segundo a ONU.
C.Meier--BTB