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Entre céticos a entregar mais ajuda, Biden recebe Zelensky
O presidente Joe Biden prometeu, nesta quinta-feira (21), apoio e armas de defesa aérea ao seu contraparte ucraniano, Volodimir Zelensky, que advertiu que a Rússia poderia derrotar Kiev se os congressistas republicanos reduzirem a ajuda militar dos Estados Unidos.
Joe e Jill Biden receberam Zelensky, vestido com seu uniforme caqui habitual, e sua esposa, Olena Zelenska, com tapete vermelho, bandeiras e militares vestidos de gala.
Em seguida, os dois chefes de Estado se dirigiram ao Salão Oval, onde o presidente americano prometeu "garantir que o mundo apoie" a Ucrânia.
Zelensky destacou que começou o dia no Congresso para agradecer pelo apoio e que "aprecia muito a ajuda dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo russo".
A Casa Branca é um terreno amigável para Zelensky, embora até o momento não tenha conseguido convencer Biden a fornecer os mísseis táticos de longo alcance que ele deseja.
Consciente do risco de cansaço de seu grande aliado americano, o presidente ucraniano alertou de manhã os congressistas republicanos que seu país corria o risco de perder a guerra se deixasse de receber ajuda.
- "O mundo livre" -
"Eu enfatizei que uma vitória da Ucrânia garantiria que nem a Rússia, nem qualquer outra ditadura, possam desestabilizar novamente o mundo livre", declarou Zelensky na rede social X, antigo Twitter.
"Para ganhar, temos que permanecer unidos", insistiu.
Porém, no Capitólio, o líder ucraniano enfrentou um campo de batalha político e financeiro.
De um lado, está o Senado, de maioria democrata e onde a oposição republicana é favorável à ajuda à Ucrânia.
Do outro, está a Câmara dos Representantes, dominada pelos republicanos e onde diversos congressistas conservadores pedem o fim imediato da ajuda a Kiev.
Tudo isso em meio ao perigo, a partir de 1º de outubro, de uma paralisação orçamentária se ambos os partidos não chegarem a um acordo sobre uma lei de orçamento provisória.
- "Prestar contas" -
O clima mudou em Washington desde que Zelensky visitou a capital americana pela primeira vez em 21 de dezembro de 2022, meses após as tropas terem invadido a Ucrânia em fevereiro do mesmo ano.
O líder republicano da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, não esteve ao lado do presidente ucraniano em sua chegada ao Capitólio nesta quinta. Tarefa que coube ao lider dos conservadores no Senado, Mitch McConnell.
McCarthy, pressionado pela ala mais à direita de seu partido, disse na terça-feira que pedirá que Zelensky preste contas do dinheiro que já foi gasto.
Mas o republicano Michael McCaul, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes, acredita que uma nova ajuda de 24 bilhões de dólares (R$ 118 bilhões) será aprovada.
A Casa Branca afirmou que Biden anunciará um novo pacote de ajuda ao país que inclui "defesa aérea para ajudar a Ucrânia". Mas "decidiu que não entregará (mísseis) ATACMS, ainda que não tenha exluído tal possibilidade no futuro".
O presidente americano também está consciente do perigo de perder impulso, à medida que a guerra vá se prolongando e vá se aproximando o inverno.
"A Rússia acredita que o mundo se cansará e vão deixar que ela destrua a Ucrânia sem consequências", advertiu Biden, que aspira a um segundo mandato em 2024,na ONU na terça-feira.
F.Pavlenko--BTB