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Sem partidos e com monarca absolutista, Essuatíni realiza eleições
Essuatíni, a última monarquia absolutista da África e onde os partidos políticos estão proibidos, celebrou eleições legislativas nesta sexta-feira (29), em um contexto de descontentamento da população pela grande pobreza.
Cerca de 585.000 eleitores foram convocados a eleger os deputados de uma Câmara que tem papel fundamentalmente consultivo.
Os colégios eleitorais fecharam às 17h GMT (14h no horário de Brasília) e o resultado das eleições, que ocorreram sem sobressaltos, serão anunciados nos próximos dias.
Em Essuatíni, um país encravado entre a África do Sul e Moçambique e antes conhecido como Suazilândia, o rei Mswati III, no poder desde 1986, nomeia o primeiro-ministro, o governo e os juízes, e dá seu aval às leis aprovadas no Parlamento.
Os partidos políticos estão proibidos há meio século. Os 59 deputados a serem eleitos nesta sexta-feira apresentam-se de forma independente, e os candidatos foram selecionados pelos líderes tribais próximos ao monarca.
Em um país com 1,2 milhão de habitantes, dos quais mais de 60% vivem na pobreza, as infraestruturas são mínimas e a miséria está onipresente nas regiões mais remotas.
"Necessitamos de estradas, nossas ruas estão sujas, e precisamos que venham recolher o lixo", disse à AFP Busisiwe Matsebula, uma mulher de 75 anos, enquanto esperava para votar na capital Mebabane.
"Nossos filhos estão em casa, porque não há trabalho; não tem sentido", comentou Phinah Nxumalo, uma mulher de 58 anos que vende espinafres e milhos em Manzini, a capital econômica do reino.
Nos últimos anos, o país viveu protestos pró-democracia, reprimidos em 2021 pela polícia e pelo Exército com um balanço de aproximadamente 40 mortos. À época, grande parte da oposição pediu boicote às eleições.
A oposição costuma se organizar a partir do exterior e ampara-se em uma Constituição que, na teoria, garante as liberdades de expressão e opinião, assim como os direitos de reunião e associação.
"Vivemos em uma ditadura. Se alguém se atreve a falar, a polícia vem bater na sua porta em plena noite e prende você por traição ou outra coisa", denunciou Thantaza Silolo, porta-voz da principal legenda de oposição, o Movimento de Libertação da Suazilândia (Swalimo).
"A monarquia não é um sistema político, mas sim um sistema tradicional", disse à AFP o conselheiro do rei Moses Dlamini. "E o sistema é chamado a permanecer como tal", acrescentou.
O.Lorenz--BTB