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Chanceleres da UE prometem 'apoio duradouro' à Ucrânia em reunião 'histórica' em Kiev
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) se encontraram nesta segunda-feira (2) em Kiev em uma reunião histórica para mostrar seu "apoio duradouro" à Ucrânia, invadida pela Rússia e que aspira a integrar o bloco dos 27.
O encontro acontece durante a lenta contraofensiva da Ucrânia à invasão russa, que começou em fevereiro de 2022, e no momento em que o país pressiona para entrar na UE, que está dividida em relação ao apoio a Kiev.
O chefe da diplomacia ucraniana, Dmitro Kuleba, avaliou que "a maior esperança de (Vladimir) Putin é justamente que o Ocidente e o mundo cansem de estar ao lado da Ucrânia nesta guerra". "A Rússia destina muitos meios" para isso, assegurou.
Horas antes, o Kremlin disse estar convencido de que a "fadiga" do apoio irá aumentar entre os diferentes países.
O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, congratulou-se por essa "reunião histórica" - a primeira dos 27 países fora das fronteiras da UE - na Ucrânia, um país candidato e futuro membro da UE", afirmou na rede X, antigo Twitter, embora tenha dito que era um encontro "informal".
Diante dos 24 membros presentes - estavam ausentes os da Polônia, Hungria e Letônia -, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, estimou que a vitória de seu país "depende diretamente" da cooperação com os aliados ocidentais.
- Apoio a longo prazo -
A Ucrânia obteve o status de país candidato a integrar a UE em junho de 2022, mas sem um calendário concreto para as negociações de adesão.
A nova embaixadora da UE na Ucrânia, Katarina Mathernova, declarou em uma entrevista à imprensa ucraniana na sexta-feira que a adesão do país em 2030 é um objetivo "realista".
Os 27 membros da UE permaneceram em grande parte unidos no apoio à Ucrânia, com 11 séries de sanções à Rússia e gastos de bilhões de euros para enviar armas a Kiev.
Porém, o temor de fissuras no bloco aumenta com a preocupação do apoio reforçado dos Estados Unidos, principal suporte de Kiev.
A Hungria, principal aliada da Rússia na UE, pode se unir à Eslováquia depois que o populista Robert Fico, que é contrário à continuidade do apoio à Ucrânia, venceu as eleições no fim de semana.
Também foram registradas tensões entre Kiev e alguns de seus principais apoiadores no leste da Europa, em particular a Polônia, devido à chegada de cereais ucranianos a seus mercados.
"A fadiga do apoio completamente absurdo ao regime de Kiev aumentará em vários países", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta segunda-feira.
A ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, destacou que a reunião em Kiev é uma "mensagem para a Rússia" a respeito da determinação do bloco de apoiar a Ucrânia a longo prazo.
Essa reunião é um "gesto diplomático excepcional", apontou a ministra, para mostrar o "apoio firme" e "duradouro" da UE à Ucrânia. "Vamos permanecer aqui por muito tempo", disse à imprensa.
O Estados Unidos também reafirmaram seu apoio a Kiev e negou o desgaste de sua ajuda.
"Putin se equivoca se pensa que vai aguentar mais que nós", disse nesta segunda-feira Karine Jean-Pierre, porta-voz da Casa Branca, perguntada sobre o apoio ocidental à Ucrânia.
- Contraofensiva lenta -
Em junho, Kiev iniciou sua aguardada contraofensiva, mas admitiu que o progresso é lento diante das defesas russas fortalecidas.
A Ucrânia pede mais armas ocidentais, em particular mísseis de longo alcance, para recuperar territórios ocupados pelas forças russas.
As autoridades ucranianas alertaram que a Rússia retomou uma campanha sistemática de ataques aéreos contra as instalações de energia da Ucrânia antes do inverno (hemisfério norte, verão no Brasil), uma estratégia que deixou milhões de pessoas sem calefação, ou abastecimento de água, por longos períodos no ano passado.
A ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, pediu a implementação de "um plano de proteção de inverno" para que a Ucrânia enfrente os ataques.
Na frente de batalha, os bombardeios nesta segunda-feira deixaram quatro feridos em Kherson e dois em Orikhiv (sul), segundo as autoridades regionais.
Quatro drones explosivos russos foram derrubados durante a noite, informou o Exército ucraniano.
O serviço de Inteligência ucraniano reivindicou a autoria de um ataque com drones contra uma unidade de produção de mísseis em Smolensk, na Rússia, a mais de 600 quilômetros da fronteira.
M.Ouellet--BTB