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Refugiados de Nagorno-Karabakh se abrigam em estação de esqui na Armênia
O outono adornou com as cores ocre e dourado as florestas de faias que cercam Aghveran, uma estação de esqui popular entre os habitantes de Ierevan, onde armênios de Nagorno-Karabakh se refugiaram da angústia do bloqueio e da guerra.
Esta localidade, cerca de 40 quilômetros ao norte de Ierevan, é um popular destino de férias para os moradores da capital da Armênia, que vão ao local para esquiar no inverno e também aproveitar o clima suave no verão.
A chegada destes refugiados comoveu Siranouch Kaitsakian, gerente do Arthurs Aghveran Resort. "Uma avó levou dez fatias de pão, nada mais. Ela disse que não comia há muito tempo. Mas, no geral, eles estavam apáticos: perderam tudo", disse ele emocionado.
A ofensiva relâmpago do Azerbaijão no disputado enclave de Nagorno-Karabakh, nos dias 19 e 20 de setembro, provocou a fuga de mais de 100 mil armênios, transformando em poucos dias a clientela dos hotéis da região.
Em Arkazan, cidade onde está localizada a estação de Aghveran, 1.300 refugiados se abrigaram em hotéis e resorts, de acordo com Liparit Margarian, chefe do governo municipal.
O gerente deste resort, por sua vez, afirma que o local acolherá estes deslocados pelo tempo que for necessário. "É responsabilidade de todos ajudar essas pessoas", reafirma Kaitsakian.
- Abandonar toda uma vida -
A família de Armine Tadevossian, de classe média de Stepanakert – capital da autoproclamada república de Nagorno-Karabakh – deixou "toda a sua vida para trás" quando fugiu do enclave, assim que o Azerbaijão abriu a rodovia para a Armênia.
Para esta família de 30 pessoas, incluindo crianças e adultos, o mais difícil foi sobreviver ao angustiante bloqueio do corredor de Lachin - única ligação entre esta região separatista e a Armênia - em dezembro de 2022, aos cortes diários de eletricidade e às longas filas para abastecer veículos.
Já na Armênia, após 36 horas na estrada, descobriram pelas redes sociais que ofereciam hospedagem em Aghveran e conseguiram ser aceitos em um resort.
"Aqui comemos, dormimos, as crianças brincam, não fazemos grandes coisas", resume, agradecendo pela ajuda recebida, mas demonstrando preocupação com o futuro. "Temos que trabalhar, nossos filhos devem ir à escola", diz ela, que tinha uma mercearia e o seu marido, Vilen, uma empresa de instalação de janelas na capital separatista.
Diante da chegada de jovens russos, que fugiram do regime de Vladimir Putin, à Ierevan, os preços na capital armênia dispararam, sobretudo o valor dos aluguéis.
Para ajudar diante desta situação, o governo armênio prometeu um auxílio único de 100.000 drams (R$ 1.202, na cotação atual) por pessoa, além de uma ajuda mensal de 50.000 drams (R$ 601) durante pelo menos seis meses para quitar o aluguel e demais gastos. Mas a conta parece não fechar.
Em outro resort na região, autoridades municipais instalaram um ponto de registro onde os funcionários recolhem pedidos de refugiados que não possuem vestimentas ou calçados de inverno.
De acordo com o governo armênio, até a noite de quinta-feira (28), as autoridades encontraram alojamento temporário para mais de 53 mil pessoas.
S.Keller--BTB