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Direita espanhola apela à 'resistência cívica' contra Pedro Sánchez
Inconformada com a anistia concedida aos independentistas catalães pelo presidente de governo Pedro Sánchez em troca de uma nova investidura, a direita espanhola apelou nesta sexta-feira (17) à "resistência cívica", na véspera de uma nova grande manifestação em Madri.
"A resistência cívica não vai baixar a guarda", escreveu na rede social X (antigo Twitter) Cuca Gamarra, vice-presidente do Partido Popular (PP), o principal partido conservador da Espanha, ao convocar os espanhóis a "sair às ruas" neste sábado contra a anistia, que tem sido fonte de muita tensão no país.
A investidura de Sánchez no Congresso dos Deputados é "um ato de alta traição", estimou, por sua vez, outro integrante do alto escalão do PP, Elías Bendodo, que acusou o presidente de governo de ter "comprado sua investidura vendendo a Espanha" aos independentistas.
- Virar a página na Catalunha -
A concentração deste sábado, à qual comparecerão os líderes do PP e do partido de extrema direita Vox, está prevista para as 12h locais (8h em Brasília) em Madri. O ato acontecerá quase uma semana depois de outra manifestação que contou com a presença de centenas de milhares de pessoas em toda a Espanha.
"Vamos seguir apoiando todas as mobilizações e convocações em oposição ao golpe contra a Nação", prometeu Santiago Abascal, líder do Vox, que vem denunciando há vários dias um "golpe de Estado" institucional.
Pedro Sánchez ficou em segundo lugar nas eleições parlamentares de 23 de julho, atrás do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, sem que nenhum deles conseguisse maioria absoluta, e voltou ao poder após negociar duramente para conseguir o apoio dos partidos regionalistas, entre eles os independentistas catalães.
Em troca de seus votos, imprescindíveis para formar maioria, cedeu a uma série de concessões, entre elas uma polêmica lei de anistia para dirigentes e ativistas separatistas processados por envolvimento na tentativa de secessão de Catalunha em 2017.
Na quarta-feira, o líder socialista de 51 anos disse no Parlamento que eram necessários "diálogo" e "perdão" para virar a página da crise de 2017.
- Desestabilizar o país -
Ao jurar o cargo nesta sexta-feira perante o Rei Felipe VI no Palácio da Zarzuela, Pedro Sánchez prometeu "cumprir fielmente com as obrigações do cargo de presidente de governo" e "respeitar e zelar pelo respeito à Constituição".
Em uma demonstração da tensão extrema, um grupo de militares reformados, bastante críticos à esquerda, publicaram hoje um manifesto pedindo aos "responsáveis da defesa do ordenamento constitucional, a destituição do Presidente de Governo e a convocação de eleições gerais".
Um manifesto condenado por Aina Vidal, uma das porta-vozes da Sumar. "Há uma estratégia na extrema direita, que o PP abraçou abertamente, com a qual tentam desestabilizar o país", denunciou na emissora de televisão La Sexta.
"Acho que esse clima tem que acalmar. Estão tentando criar um clima de medo e de confusão", acrescentou.
Perguntada pelo clima explosivo, a porta-voz do governo, Isabel Rodríguez, reconheceu que o novo mandato de Pedro Sánchez será "complexo" e "difícil", mas garantiu que o governo "demonstrou" nos últimos anos que é "capaz de gerenciar" situações de "máxima complexidade".
L.Janezki--BTB