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Manifestações no mundo todo pelo fim da violência contra as mulheres
Dezenas de milhares de pessoas protestaram neste sábado (25) em todo o mundo no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, exigindo mudanças no comportamento dos homens e mais recursos e eficiência por parte dos Estados.
"Cuidado, o machismo mata" era um lema presente em muitos cartazes na capital do Chile, um dos bastiões mundiais do movimento feminista, onde houve manifestações desde sexta-feira à noite.
Cerca de mil mulheres marcharam pelas ruas de Santiago gritando "Nem um passo atrás!" para exigir medidas do governo.
De acordo com a rede chilena contra a violência às mulheres, uma das organizadoras do protesto, foram registrados 40 feminicídios no Chile desde o início do ano.
No Brasil, a famosa praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, amanheceu no sábado com pares de sapatos femininos (saltos altos, tênis, etc.), cada um em frente a um nome feminino, para alertar sobre os 722 feminicídios em 2022 no país, de 203 milhões de habitantes.
Esta é a maior quantidade de feminicídios registrada desde 2019, segundo a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Na capital da Guatemala, o número "438" foi desenhado com flores e velas em memória dos 438 feminicídios registrados desde o início do ano neste país de 17 milhões de habitantes.
- Protestos na Europa -
Na Espanha, cerca de 7.000 pessoas se manifestaram em Madrid sob uma faixa que dizia: "Chega: nossa luta é global".
Também houve concentrações em Barcelona e Sevilha, em um país pioneiro na luta contra a violência às mulheres, onde em 2004 foi aprovada a primeira lei europeia que pune especificamente esse tipo de violência.
"Protejam suas filhas, eduquem seus filhos", "Ceder não é consentir", "Quando saio, quero ser livre, não corajosa" eram mensagens presentes em cartazes de manifestantes em várias cidades da França.
Em 2022, foram registrados 118 feminicídios na França, segundo dados oficiais.
Na Itália, onde dezenas de milhares de pessoas marcharam em várias cidades, incluindo Roma e Milão, houve 106 feminicídios no ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (Istat).
Também houve manifestações na Bulgária e na Turquia.
Em Istambul, cerca de 500 mulheres se concentraram no bairro de Sisli, entoando slogans como "Não ficaremos em silêncio!" e "As mulheres estão unidas e lutam contra a violência do Estado masculino".
Em 2021, a Turquia retirou um acordo internacional destinado a proteger as mulheres da violência doméstica, a Convenção de Istambul.
Mas neste sábado, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que essa retirada "não teve nenhum impacto em nossa luta contra a violência contra as mulheres".
Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden lamentou que "o flagelo da violência sexista continue causando sofrimento e injustiça a muitas pessoas".
- Apelo do papa -
Do Vaticano, o papa Francisco disse que "a violência contra as mulheres é uma erva daninha que assola nossa sociedade e deve ser cortada pela raiz (...) por meio de uma ação educacional que coloque a pessoa e sua dignidade no centro".
Globalmente, a cada dia ocorrem 82 feminicídios cometidos por parceiros ou ex-parceiros, e estima-se que 31% das mulheres foram vítimas de violência física ou sexual pelo menos uma vez na vida, de acordo com dados da OMS de 2018.
Mais da metade (56%) das mulheres e meninas assassinadas morrem no âmbito íntimo (familiar, cônjuge ou ex), em comparação com 11% dos homens e meninos, segundo um relatório da ONU Mulheres publicado em 2022.
O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher é celebrado em 25 de novembro para lembrar o assassinato de três irmãs Mirabal, opositoras do ditador Rafael Trujillo, em 25 de novembro de 1960 na República Dominicana.
B.Shevchenko--BTB