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Israel intensifica bombardeios em Gaza apesar das divergências com EUA
Israel intensificou nesta quinta-feira (14) os bombardeios na Faixa de Gaza, apesar dos indícios de impaciência do governo dos Estados Unidos, seu principal aliado, que enviou um funcionário de alto escalão da Casa Branca a Jerusalém.
A guerra, desencadeada pelos ataques de 7 de outubro do movimento islamista palestino Hamas contra Israel, já provocou milhares de mortes.
A ofensiva dos milicianos do Hamas deixou quase 1.200 mortos, a maioria civis, segundo as autoridades israelenses.
A resposta de Israel provocou mais de 18.600 mortes, a maioria mulheres e menores de idade, segundo o Ministério da Saúde do território palestino governado pelo Hamas.
Segundo o ministério, os bombardeios israelenses na manhã desta quinta-feira mataram pelo menos 19 pessoas na Faixa de Gaza.
Na Cisjordânia, que também sofre um aumento da violência desde 7 de outubro, a Autoridade Palestina informou que duas pessoas morreram nos ataques israelenses contra a cidade de Jenin.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cujo governo forneceu bilhões de dólares em ajuda militar a Israel, advertiu na quarta-feira que o "bombardeio indiscriminado" contra Gaza enfraquece o apoio internacional ao país.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que lidera um governo integrado por partidos ultraortodoxos e de estrema direita, respondeu: "Continuaremos até o fim. Não há nenhuma dúvida. Digo isso com grande dor, mas também à luz da pressão internacional. Nada irá nos deter. Iremos até o fim, até a vitória".
O ministro das Relações Exteriores, Eli Cohen, destacou que a guerra contra o Hamas continuará "com ou sem apoio internacional".
O conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, se reunirá nesta quinta-feira em Jerusalém com Netanyahu e seu gabinete de guerra.
Antes da viagem, Sullivan declarou em um evento do Wall Street Journal que discutirá um calendário para o fim da guerra e que pretende pedir às autoridades israelenses para "avançar a uma fase diferente das operações de alta intensidade que vemos hoje".
Ele terá "conversas extremamente sérias" em Israel, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby.
Netanyahu admitiu "divergências" com Washington sobre como Gaza será administrada depois do conflito.
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, declarou na quarta-feira que "qualquer discussão sobre Gaza ou a causa palestina sem a presença do Hamas, ou das facções da resistência, será uma ilusão".
Também disse que o Hamas está preparado para negociações que levem a um "caminho político que assegure o direito do povo palestino a um Estado independente com Jerusalém como sua capital".
Uma pesquisa publicada na quarta-feira pelo Centro Palestino de Pesquisas Políticas mostrou que Haniyeh tem o apoio de 78% dos habitantes dos territórios palestinos, contra 58% antes da guerra.
- "O capítulo mais sombrio" -
Além da pressão americana, a Assembleia Geral da ONU aprovou por grande maioria esta semana um texto não vinculante que pede um cessar-fogo, mas os Estados Unidos votaram contra.
O diretor da agência da ONU para os refugiados palestinos, Philippe Lazzarini, afirmou na quarta-feira que os moradores de Gaza enfrentam o "capítulo mais sombrio de sua história".
A ONU calcula que 1,9 milhão dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados e estão morando em barracas. Eles enfrentam a escassez de alimentos, água potável, remédios e combustível.
A cidade de Rafah, no sul e perto da fronteira com o Egito, virou um grande campo de deslocados, com centenas de barracas.
"Passamos cinco dias a céu aberto e agora a chuva inundou as barracas", disse Bilal al-Qasas. Rajadas de vento sacodem as frágeis estruturas que as pessoas tentam reforçar com plástico.
"Para onde devemos migrar? Acabou a nossa dignidade?", questiona Al Qasas.
A ONU fez um alerta sobre a propagação de doenças e o sistema hospitalar de Gaza está em ruínas. As autoridades do Hamas afirmam que o território ficará sem vacinas infantis e teme consequências "catastróficas".
- Soldados mortos -
O Exército israelense enfrenta uma pressão crescente para reduzir as mortes em suas fileiras e conseguir libertar os reféns sob poder do Hamas.
Desde o início da ofensiva terrestre, 115 soldados morreram em Gaza. Nos ataques de 7 de outubro, o Hamas sequestrou quase 240 reféns. Dezenas foram liberados durante uma trégua de uma semana em novembro e alguns morreram.
A embaixada israelense na Romênia anunciou na quarta-feira a morte do refém romeno-israelense Tal Haimi, de 41 anos.
H.Seidel--BTB