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Rússia ataca Ucrânia em resposta a bombardeio contra Belgorod
A Rússia afirmou neste domingo(31) que atacou alvos "militares" na cidade ucraniana de Kharkiv, mas autoridades locais insistem que foram edifícios civis, em resposta ao ataque sem precedentes que matou 24 pessoas na cidade russa de Belgorod.
No sábado, a Rússia garantiu que não ficaria "impune" o ataque com mísseis e foguetes contra Belgorod, a cerca de 30 quilômetros da fronteira ucraniana. Moscou insiste em responsabilizar Kiev, que manteve o silêncio até agora.
Estes bombardeios mataram 24 pessoas e feriram 108, segundo um novo balanço divulgado pelo governador da região, Viatcheslav Gladkov.
Mais tarde, afirmou que outro bombardeio ucraniano matou um idoso e feriu uma mulher em Krasnyi, perto da fronteira com a Ucrânia.
Embora Kiev ataque frequentemente o território russo, com dispositivos aéreos não tripulados, este foi o mais mortal contra civis na Rússia desde que começou o conflito em fevereiro de 2022.
- "Delírio destorcido" -
"Em resposta a este ato terrorista, as forças armadas russas atacaram centros de decisão e bases militares" em Kharkiv, declarou neste domingo o ministro russo da Defesa.
O governador da região ucraniana, Oleg Sinegoubov, assegurou que os foguetes alcançaram na noite de sábado um hotel, edifícios residenciais, clínicas e hospitais, ferindo 28 pessoas. Entre eles, dois adolescentes e um britânico, assessor de segurança de uma equipe de jornalistas alemães, segundo autoridades ucranianas.
A Rússia reconhece que atacou um "antigo complexo hoteleiro", o Palácio de Kharkiv, mas afirmou que no local estavam membros da inteligência militar e das forças armadas ucranianas "implicados" no atentado de Belgorod, além de "mercenários estrangeiros".
As acusações foram qualificadas como "delírio destorcido" pela inteligência militar ucraniana, que disse que nenhum de seus membros ficou ferido.
Moscou continua negando que atacou civis na Ucrânia.
- 49 drones -
A Força Aérea ucraniana afirmou que seis misseis russos foram lançados em Kharkiv. Também disse que derrubou 21 de 49 drones Shahed lançados contra seu território pela Rússia durante a noite e que apontavam para o sul e leste.
Os últimos dias foram marcados por uma escalada da violência entre os dois países.
Na sexta, a Ucrânia declarou luto após o que considerou como o mais maciço ataque com mísseis do conflito, com exceção dos primeiros dias da guerra.
O presidente Volodimir Zelensky reportou no sábado que 39 pessoas morreram em todo o país, mas novas mortes foram anunciadas desde então.
Neste domingo, o governador de Dnipropetrovsk, Serguei Lyssak, declarou que um dos feridos morreu no hospital, elevando a 7 o número de mortos na região.
Em Kiev, o serviço estatal de emergências informou que encontrou 23 corpos entre os escombros desde o ataque de sexta.
- "Ataque indiscriminado" -
Neste domingo, durante seu discurso de Ano Novo, Vladimir Putin assegurou que a Rússia "nunca" recuará.
No ano passado, o presidente russo discursou com um tom marcial, ao lado de soldados. Desta vez, afirmou que 2024 será o ano da "família", com o Kremlin ao fundo.
Não mencionou diretamente a Ucrânia, mas fez várias alusões ao país, ao render homenagem aos soldados "heróis", e ao explicar que a Rússia "defendeu veementemente" seus interesses e sua segurança em 2023.
Volodimir Zelensky pronunciará seu discurso de Ano Novo após um 2023 marcado pelo fracasso da contraofensiva ucraniana e a paralisação quase completa da linha de frente.
A Ucrânia começa um ano difícil à medida que a ajuda ocidental começa a diminuir, o que aumenta o risco que o fluxo de munições e fundos se esgote.
Tanto do lado russo como do ucraniano, as celebrações da noite de domingo ocorrerão em clima de tensão, após os ataques dos últimos dias.
L.Dubois--BTB