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Aliados de Trump se opõem a ajuda à Ucrânia aprovada pelo Senado dos EUA
O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta terça-feira (13), um novo pacote de US$ 95 bilhões (R$ 472 bilhões) para a Ucrânia, Israel e Taiwan, mas o projeto corre o risco de não receber luz verde dos partidários do ex-presidente Donald Trump na Câmara dos Representantes, que rejeitam examinar o texto em sua versão atual.
"Já não podemos nos permitir o luxo de esperar", afirmou o presidente democrata, Joe Biden, que faz um apelo aos republicanos na Câmara Baixa para que aprovem o texto "rapidamente".
Em um ano eleitoral, a questão coloca Biden contra seu antecessor Trump, provável adversário nas eleições presidenciais de novembro.
O democrata exige a aprovação de US$ 60 bilhões (R$ 298 bilhões) para a Ucrânia, em guerra com a Rússia há quase dois anos. Ele acrescentou ainda US$ 14 bilhões (R$ 69,5 bilhões) para Israel e fundos para Taiwan.
Contudo, teve que retirar do texto uma reforma migratória boicotada pela ala mais conservadora dos republicanos, que não a considera suficientemente rígida.
"Se não enfrentarmos os tiranos que procuram conquistar ou dividir o território dos seus vizinhos, as consequências para a segurança nacional dos Estados Unidos serão consideráveis. Tanto os nossos aliados como os nossos adversários tomarão nota", insistiu Biden nesta terça-feira.
Trump se opõe ao pacote debatido no Congresso por considerar que os Estados Unidos deveriam "parar de dar dinheiro sem esperar ser reembolsado".
O republicano afirma que se retornar à Casa Branca após as eleições, resolverá a guerra entre a Rússia e a Ucrânia "em 24 horas". Mas não diz como.
- Chuva de críticas -
Sem o apoio dos republicanos, que controlam a Câmara dos Representantes por uma margem estreita, e especialmente sem os partidários de Trump, o texto está fadado ao fracasso.
Na tarde de segunda-feira, Mike Johnson, líder dos republicanos na Câmara Baixa, anunciou sua recusa a examinar o texto, tornando quase impossível a sua votação.
O líder republicano criticou o projeto de lei por "manter silêncio sobre o problema mais urgente" do país, segundo ele, a crise migratória na fronteira entre os Estados Unidos e o México.
Os conservadores condicionam a adoção de novos fundos para Kiev ao endurecimento da política migratória.
- 'Como Trump sugeriu' -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, expressou sua satisfação com o apoio do Senado.
"Para nós, na Ucrânia, a contínua ajuda americana salva vidas humanas do terror russo" enquanto "lutamos pela liberdade e pela democracia", declarou ele na rede social X.
A continuação do apoio militar a Kiev, interrompido desde o final de dezembro, depende da aprovação do texto negociado no Congresso.
Os democratas estão, em grande maioria, a favor da medida. Já o lado republicano está dividido entre os apoiadores e aliados de Trump, que são muito mais isolacionistas.
Na segunda-feira, o senador Lindsey Graham, até agora um dos republicanos a favor da ajuda a Kiev, anunciou sua oposição porque prefere um sistema de empréstimos "como sugeriu o presidente Trump", o que demonstra a influência do magnata no partido.
I.Meyer--BTB