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Republicanos bloqueiam ajuda à Ucrânia
Joe Biden alertou, nesta terça-feira (13), os congressistas republicanos da Câmara dos Representantes que "a história será testemunha" se sabotarem a ajuda à Ucrânia aprovada pelo Senado, mas o líder da oposição replicou dizendo que sequer haverá votação.
"A história será testemunha", disse Biden na televisão, repetindo a frase cinco vezes.
"Apoiar este projeto de lei é enfrentar Putin. Opor-se a ele é fazer o jogo de Putin", acrescentou o democrata.
Ele também atacou seu antecessor, Donald Trump, depois que o ex-presidente disse que encorajaria a Rússia a atacar os membros da Otan que não cumprem seus compromissos financeiros com a Aliança.
"É tolo. É vergonhoso. É perigoso. É antiamericano", disse Biden da Casa Branca.
"Quando [Trump] olha para a Otan, não vê a aliança que protege os Estados Unidos e o mundo. Ele vê uma fraude", acrescentou. "Nenhum outro presidente em nossa história jamais se curvou a um ditador russo."
Mas o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, muito próximo a Trump, ignorou os alertas de Biden e disse aos jornalistas que sequer pretende permitir uma votação sobre o projeto de lei.
"De maneira alguma", declarou.
Na segunda-feira, Johnson criticou o projeto de lei por "permanecer em silêncio sobre o problema mais urgente" do país, segundo ele, a crise migratória na fronteira entre os Estados Unidos e o México.
Os conservadores condicionam a adoção de fundos para Kiev a novas medidas migratórias, mas vetaram o acordo bipartidário sobre uma política mais restritiva ao qual os democratas haviam chegado com um grupo de republicanos por considerá-lo muito permissivo.
O Senado deu luz verde a um novo pacote de 95 bilhões de dólares para Ucrânia, Israel e Taiwan, mas sua adoção depende dos partidários de Trump na câmara baixa.
- 'O luxo de esperar' -
"Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar", instou o presidente Joe Biden.
Em um ano eleitoral, o tema opõe Biden e Trump, seu provável rival nas eleições presidenciais de novembro.
Biden exige a aprovação de um pacote de US$ 60 bilhões (R$ 298 bilhões) para a Ucrânia, em guerra com a Rússia há quase dois anos. Ele acrescentou US$ 14 bilhões (R$ 70 bilhões) para Israel e fundos para Taiwan.
"Se não enfrentarmos os tiranos que pretendem conquistar ou dividir o território de seus vizinhos, as consequências para a segurança nacional dos Estados Unidos serão consideráveis. Tanto nossos aliados quanto nossos adversários tomarão nota", insistiu Biden.
Trump se opõe ao pacote debatido no Congresso, argumentando que os Estados Unidos deveriam "parar de dar dinheiro sem esperar ser reembolsado".
Ele afirma que, se voltar à Casa Branca, resolverá a guerra entre Rússia e Ucrânia "em 24 horas". Mas não diz como.
- 'Chuva de críticas' -
No entanto, ele é quem tem a última palavra nas negociações no Congresso. Sem o apoio dos republicanos, que controlam a Câmara dos Representantes por uma margem estreita, e principalmente sem o apoio de Trump, o texto está fadado ao fracasso.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, expressou sua satisfação com o apoio do Senado.
"Para nós, na Ucrânia, a ajuda contínua dos Estados Unidos salva vidas humanas do terror russo", enquanto "lutamos pela liberdade e pela democracia", declarou nas redes sociais.
A continuação da ajuda militar à Ucrânia, interrompida desde o final de dezembro, depende deste texto negociado no Congresso.
Os democratas estão, em sua grande maioria, a favor.
Os republicanos estão divididos entre os partidários e os aliados de Trump, muito mais isolacionistas.
E a influência de Trump no Partido Republicano é inegável.
Na segunda-feira, o senador Lindsey Graham, até então um dos republicanos favoráveis a ajudar Kiev, anunciou que se oporia porque prefere um sistema de empréstimos "como sugerido pelo presidente Trump".
E.Schubert--BTB