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Netanyahu propõe primeiro plano de 'pós-guerra' em Gaza
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentou seu primeiro plano de “pós-guerra” na Faixa de Gaza, no qual propõe que Israel mantenha “um controle de segurança” naquele território e na Cisjordânia ocupada, uma abordagem rejeitada tanto pelo Hamas quanto pela Autoridade Palestina.
O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, reagiu ressaltando que seu país se opõe "à reocupação" de Gaza.
A AFP teve acesso nesta sexta-feira (23) ao documento, que Netanyahu apresentou na noite de ontem ao gabinete de segurança do governo. O texto lembra os objetivos do exército em Gaza: desmantelar o Hamas e a Jihad Islâmica e libertar os reféns sequestrados em 7 de outubro, quando teve início o conflito.
As forças israelenses “exercerão um controle de segurança em toda a área a oeste da Jordânia, incluindo a Faixa de Gaza, para impedir o fortalecimento de elementos terroristas” e conter “as ameaças a Israel”, diz o plano. Israel também irá manter “sua liberdade de ação operacional em toda a Faixa de Gaza, sem limite de tempo.”
- 'Perpetuar a ocupação' -
No sul da Faixa de Gaza, que faz fronteira com o Egito, Israel “irá manter um cerco, em cooperação com o Egito e os Estados Unidos”, para evitar o rearmamento das organizações palestinas, diz o documento, que também prevê “a desmilitarização total de Gaza”, exceto o material necessário para manter a ordem, bem como a “desradicalização de todas as instituições religiosas, educacionais e sociais” daquele território.
Quanto à administração da Faixa de Gaza, Netanyahu recomenda confiá-la "a funcionários locais com experiência em gestão e sem vínculos com países ou entidades que apoiam o terrorismo”, um projeto semelhante ao apresentado no começo de janeiro por seu Ministro da Defesa, Yoav Gallant.
O documento não faz qualquer menção à Autoridade Palestina, de Mahmud Abbas, que administra parcialmente a Cisjordânia ocupada, embora tampouco descarte explicitamente que essa entidade, rival dos islamitas do Hamas, participe da gestão de Gaza. O texto tampouco faz referência à criação de um Estado palestino independente, uma opção apoiada por Estados Unidos, Reino Unido e França.
“Os planos de Netanyahu buscam perpetuar a ocupação israelense dos territórios palestinos e impedir a criação de um Estado palestino", declarou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeineh. “Se o mundo deseja segurança e estabilidade na região, deve pôr fim à ocupação israelense dos territórios palestinos e reconhecer um Estado palestino independente com Jerusalém como capital."
“Netanyahu apresenta ideias que sabemos perfeitamente que nunca terão êxito", declarou Osama Hamdan, autoridade do Hamas em Beirute.
A divulgação do plano acontece no momento em que se intensificam as negociações para obter uma trégua em Gaza e a libertação de cerca de 130 reféns. Uma delegação de Israel viajou hoje a Paris para continuar negociando esse acordo.
- UNRWA na mira -
O plano de Netanyahu também prevê o desmantelamento da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), depois que Israel acusou vários de seus funcionários de envolvimento no ataque de 7 de outubro do Hamas.
A ONU demitiu os funcionários acusados e abriu uma investigação, mas vários países suspenderam seus pagamentos para a agência, essencial para a assistência humanitária a milhões de palestinos.
C.Meier--BTB