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Israel diz que lançará ofensiva contra Rafah, mesmo que se alcance trégua
Israel prometeu, neste domingo (25), lançar uma ofensiva terrestre na superpovoada cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, apesar das negociações em andamento para se alcançar uma nova trégua na guerra contra o Hamas.
Doha sedia uma nova rodada de negociações para um cessar-fogo, com a presença de autoridades de Egito, Catar, Estados Unidos e Israel, além de representantes do movimento islamista palestino Hamas, informou um canal de televisão egípcio.
No entanto, uma possível ofensiva contra a cidade de Rafah, na fronteira com o Egito, seria apenas "adiada" caso um acordo de cessar-fogo fosse alcançado, declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma entrevista à emissora americana CBS.
"Se não tivermos um acordo, faremos de qualquer maneira", disse Netanyahu, referindo-se à ofensiva contra Rafah, onde sobrevivem amontoados cerca de 1,4 milhão de civis, segundo a ONU.
"Tem que ser feito porque a vitória total é nosso objetivo e a vitória total está ao nosso alcance, não a meses de distância, mas a semanas, uma vez que iniciemos a operação", acrescentou.
Na Faixa de Gaza, a situação continua piorando e 2,2 milhões de pessoas, a grande maioria da população, estão em risco de "fome extrema em massa", de acordo com a ONU.
- "Não tenho palavras" -
Os bombardeios não param e a ajuda humanitária entra a conta-gotas pelo posto de Rafah, no extremo sul do território, onde depende da aprovação de Israel, que impôs um cerco total à Faixa.
Um correspondente da AFP relatou que centenas de pessoas estavam deixando suas casas para se dirigirem a outras áreas do território, governado pelo Hamas desde 2007 e sujeito a intensos bombardeios israelenses desde 7 de outubro.
A guerra começou nesse dia, quando milicianos islamistas assassinaram 1.160 pessoas, a maioria civis, no sul de Israel, e sequestraram cerca de 250, segundo um balanço da AFP baseado em números divulgados pelas autoridades israelenses.
Em resposta ao ataque, Israel iniciou uma ofensiva aérea e terrestre que já deixou 29.692 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.
"Eu vim caminhando (...) Não tenho palavras para descrever o tipo de fome que afeta aquela área (...)", declarou Samir Abd Rabbo, de 27 anos, que chegou a Nuseirat, no centro de Gaza, com a filha de um ano e meio.
"Não há leite (para a minha filha). Eu tento dar o pão que preparo com forragem, mas ela não consegue digerir (...) Nossa única esperança é a ajuda de Deus", disse à AFP.
Mesmo assim, ainda é possível evitar a fome extrema em Gaza se Israel permitir que as agências humanitárias enviem para o território "uma ajuda significativa", afirmou, neste domingo, o comissário-geral da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini.
Mas, apesar da pressão internacional, Benjamin Netanyahu insiste em seu plano de lançar uma ofensiva contra Rafah para acabar com o "último reduto" do Hamas.
No sábado, ele anunciou que convocaria "no começo da semana" seu gabinete para "aprovar os planos operacionais em Rafah, incluindo a evacuação da população civil".
Neste domingo, ele declarou à CBS que "há lugar" para que os civis "vão para o norte de Rafah, para as áreas onde já terminamos os combates".
- Negociação para uma trégua -
No campo diplomático, representantes de Egito, Catar, Estados Unidos e Israel, além do Hamas, retomaram neste domingo, em Doha, negociações para um cessar-fogo, seguidas de "reuniões no Cairo", de acordo com o canal de notícias AlQahera News, próximo aos serviços de inteligência egípcios.
As conversas, segundo o canal, "garantem o acompanhamento do que foi discutido em Paris", para onde o chefe do Mossad, serviço de inteligência externa de Israel, David Barnea, viajou na sexta-feira.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, afirmou neste domingo que os representantes de Israel, Estados Unidos, Egito e Catar, reunidos em Paris, "chegaram a um entendimento" sobre "quais deveriam ser os contornos básicos de um acordo sobre reféns para um cessar-fogo temporário".
"Haverá necessidade de discussões indiretas do Catar e do Egito com o Hamas, pois eles terão que concordar em libertar os reféns", disse à CNN, insistindo em que "esse trabalho está em andamento".
O emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, por sua vez, irá a Paris esta semana para abordar as negociações em curso com o presidente francês, Emmanuel Macron.
De acordo com uma fonte do Hamas, classificado como "terrorista" por Estados Unidos, Israel e União Europeia, o plano inclui uma trégua de seis semanas e uma troca de 200 a 300 prisioneiros palestinos por 35 a 40 reféns.
Após uma troca realizada em novembro, as autoridades israelenses estimam que ainda haja 130 reféns em Gaza, dos quais 31 teriam morrido.
Entre os falecidos, está um soldado israelense de 19 anos, anunciou o Exército neste domingo.
Israel, que enfrenta crescentes pressões internas, exige "a libertação de todos os reféns, começando por todas as mulheres, e que esse acordo não signifique o fim da guerra", afirmou Tzachi Hanegbi, assessor de Segurança Nacional do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O Hamas, por sua vez, exige um "cessar-fogo total" e a retirada das tropas israelenses de Gaza.
F.Müller--BTB