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Esperança por trégua ressurge em Gaza, onde um primeiro navio descarregou ajuda humanitária
Um navio humanitário de uma ONG espanhola terminou neste sábado(16) o descarregamento de suprimentos em Gaza, onde a esperança de uma trégua entre Israel e Hamas parece ter reavivado após o movimento islamista reduzir suas exigências e a retomada das negociações.
O Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas, anunciou neste sábado que 36 pessoas morreram no bombardeio a uma casa em Nuseirat, centro do território.
No total, ao menos 63 pessoas morreram nas últimas 24 horas em Gaza, segundo o ministério.
O governo do Hamas relatou 60 bombardeios noturnos em diversas áreas, além de "combates violentos" em Khan Yunis, no sul, e em Zeitun, na Cidade de Gaza.
O Hamas, que até agora exigia um cessar-fogo definitivo com Israel, propôs uma trégua de seis semanas e a libertação de 42 reféns israelenses - mulheres, crianças, idosos e doentes - em troca da libertação de 20 a 50 prisioneiros palestinos por cada refém.
O movimento islamista também exige a "retirada do Exército de todas as cidades e áreas povoadas", o "retorno irrestrito dos deslocados" e a entrada diária de pelo menos 500 caminhões de ajuda humanitária em Gaza, disse à AFP um dos seus membros.
O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, garantiu que os países mediadores trabalham "constantemente" para chegar a um acordo.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que enviará uma delegação ao Catar para as negociações de troca.
Além dos bombardeios e dos combates, a ONU teme a fome generalizada no estreito Território Palestino, especialmente no norte, devastado pela guerra e de difícil acesso.
- "Não veem bebês de tamanho normal" -
O navio da ONG espanhola Open Arms, que saiu terça-feira do Chipre com 200 toneladas de alimentos da organização World Central Kitchen (WCK), chegou a Gaza na sexta-feira.
A embarcação foi submetida a "uma verificação de segurança completa", segundo o Exército israelense, que impõe um cerco total ao território.
A Alemanha anunciou que a sua força aérea realizou com sucesso o seu primeiro lançamento de ajuda ao norte de Gaza.
No entanto, a comunidade internacional e ONGs alertam que as chegadas por via marítima, a partir do Chipre, ou por via aérea, não podem substituir a entrega por via terrestre.
Esta última entra em Gaza pelo sul do território, depois de fiscalizada por Israel, mas ainda é insuficiente para as necessidades dos seus 2,4 milhões de habitantes.
A situação é tão dramática que "os médicos já não veem bebês de tamanho normal", lamentou Dominic Allen, chefe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para os territórios palestinos.
- "Planos de ação contra Rafah -
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque sangrento do Hamas em 7 de outubro, quando seus combatentes mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Além disso, cerca de 250 pessoas foram sequestradas. Segundo Israel, 130 ainda estão retidas em Gaza, das quais 32 podem estar mortas.
Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma ofensiva que matou 31.553 pessoas na Faixa de Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território.
Enquanto uma trégua é negociada nos bastidores, o primeiro-ministro israelense aprovou os "planos de ação" do Exército para realizar uma operação terrestre em Rafah, onde, segundo a ONU, estão aglomeradas quase 1,5 milhão de pessoas.
"O Exército israelense está pronto para a parte operacional e para a evacuação da população", segundo seu gabinete.
Esta operação, há muito anunciada, gera preocupação internacional, mesmo entre os principais aliados de Israel, como os Estados Unidos.
H.Seidel--BTB