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Blinken pressiona no Oriente Médio por difícil trégua entre Israel e Hamas
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, chegou nesta quarta-feira (20) ao Oriente Médio para pressionar por uma trégua na Faixa de Gaza, que pareceu ficar mais longe depois que o Hamas relatou uma resposta “de modo geral negativa” de Israel a suas propostas.
Cresce a preocupação internacional diante da ameaça de fome e do cada vez maior número de vítimas em Gaza, onde os bombardeios israelenses causaram 104 mortes nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo movimento islamista Hamas.
"Estávamos dormindo quando ouvimos uma grande explosão. Corremos para a área devastada e é como se tivesse sido atingida por um terremoto", contou à AFP Mahmud Abu Arar, um deslocado de Rafah, cidade no extremo sul de Gaza, onde se amontoam cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Perto dali, outros palestinos perguntam por seus entes queridos após os ataques. "Meus pais, meus filhos... Eu estava no trabalho, voltei e não os encontrei. Meu Deus", lamenta um deles.
A guerra começou em 7 de outubro com uma incursão de combatentes islamistas que mataram 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, de acordo com contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
Cem reféns foram trocados por 240 prisioneiros palestinos durante uma trégua de uma semana no final de novembro. Israel afirma que 130 seguem detidos em Gaza, dos quais 33 teriam morrido.
Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre contra Gaza, com o objetivo de "aniquilar" o Hamas, considerado uma organização terrorista pelo Estado israelense, assim como pelos Estados Unidos e a União Europeia.
Até o momento, essa operação militar deixou 31.923 mortos, a grande maioria civis, segundo o último balanço do Ministério da Saúde de Gaza.
- Blinken na Arábia Saudita -
Os mediadores internacionais - Estados Unidos, Catar e Egito - estão tentando alcançar uma trégua, até agora sem sucesso.
Um líder do Hamas em Beirute, Osama Hamdan, declarou nesta quarta-feira que a resposta de Israel à última proposta do movimento islamista é "de modo geral negativa" e poderia levar as negociações “a um impasse”.
O Hamas propôs na semana passada um cessar-fogo de seis semanas e a libertação de 42 reféns israelenses em troca da soltura de entre 20 e 50 palestinos por refém.
Também exige a retirada do exército israelense de Gaza e uma maior entrada de ajuda humanitária, disse Hamdan.
Nesse contexto complicado, Blinken iniciou sua sexta viagem pelo Oriente Médio desde o início da guerra. Em sua primeira etapa, na Arábia Saudita, planeja se reunir com o rei Mohamed bin Salman. Na quinta-feira, viajará para o Egito e, na sexta, para Israel.
Blinken indicou que discutirá em suas reuniões "os esforços para alcançar um cessar-fogo imediato que garanta a libertação de todos os reféns", assim como "a intensificação dos esforços internacionais para aumentar a ajuda humanitária a Gaza".
Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, pressionam especialmente esse país para evitar uma ofensiva terrestre em Rafah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que enviará uma delegação a Washington "a pedido do presidente americano, Joe Biden", para falar dessa operação.
O ministro israelense da Defesa, Yoav Gallant, viajará para a capital americana na próxima semana.
- Fome na guerra -
ONGs e agências da ONU não param de alertar para o risco iminente de fome na Faixa de Gaza, sobretudo no norte, onde vivem mais de 300.000 pessoas.
Blinken reiterou na terça-feira que toda a população de Gaza sofre "níveis severos de insegurança alimentar aguda".
O ato comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse que Israel está bloqueando a ajuda e isso "poderia ser equivalente ao uso da fome como método de guerra".
Israel impõe atualmente um cerco praticamente total ao enclave e controla minuciosamente toda a ajuda que entra, o que atrasa a distribuição, principalmente vinda do Egito.
"Toda a população de Gaza depende atualmente da ajuda alimentar, mas mais da metade da população vive sob o que chamamos de 'nível crítico de fome'", declarou Philippe Lazzarini, chefe da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA).
A Arábia Saudita anunciou nesta quarta que doará 40 milhões de dólares (200 milhões de reais) a essa agência, que vários países deixaram de financiar depois que Israel a acusou de empregar pessoas diretamente envolvidas no ataque de 7 de outubro.
E.Schubert--BTB