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Biden alerta Netanyahu que apoio dos EUA dependerá da proteção dos civis em Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, instou, nesta quinta-feira (4), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a alcançar um "cessar-fogo" com o Hamas em Gaza e o alertou que o apoio americano dependerá das medidas que Israel tomar para proteger os civis palestinos.
Esta é a primeira vez que Biden menciona a possibilidade de condicionar o apoio a Israel, após o país lançar uma ofensiva militar em Gaza em resposta ao ataque do movimento islamista palestino contra seu território em 7 de outubro.
"Um cessar-fogo imediato é essencial para estabilizar e melhorar a situação humanitária e proteger os civis inocentes", declarou o presidente dos Estados Unidos a Netanyahu, de acordo com a Casa Branca.
A conversa entre os dois ocorre após a morte na segunda-feira de sete funcionários da ONG World Central Kitchen em um bombardeio israelense em Gaza, onde quase toda a população está à beira da fome, segundo a ONU.
Durante a ligação, Biden instou Netanyahu a "anunciar e implementar uma série de medidas específicas, concretas e mensuráveis para abordar os danos aos civis, o sofrimento humanitário e a segurança dos cooperantes".
Washington "deixou claro que a política dos Estados Unidos em relação a Gaza será determinada pela avaliação" da ação imediata de Israel sobre esses passos.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, afirmou que os Estados Unidos esperam ver medidas concretas "nas próximas horas e dias", mas lembrou que o apoio de Washington ao direito de Israel se defender continua sendo "inabalável".
O presidente democrata enfrenta crescentes pressões internas por seu apoio a Israel em Gaza, e seus aliados o instam a considerar a possibilidade de condicionar os bilhões de dólares em ajuda militar a que Netanyahu ouça os apelos à moderação.
- 'Preocupação' com Rafah -
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, expressou na quarta-feira ao seu contraparte israelense, Yoav Gallant, sua "indignação" pela morte dos trabalhadores humanitários, segundo o Pentágono.
O conflito começou em 7 de outubro após o ataque sem precedentes do Hamas em solo israelense, no qual morreram 1.170 pessoas, na maioria civis, segundo uma nova contagem da AFP a partir de dados oficiais.
Os combatentes islamistas também capturaram mais de 250 pessoas, das quais 130 continuam retidas em Gaza, incluindo 34 que teriam falecido, segundo autoridades israelenses.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre implacável em Gaza, que já deixou 33.037 palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas desde 2007.
Netanyahu prometeu "aniquilar" o Hamas e afirma que é necessário lançar uma ofensiva contra Rafah, no extremo sul do território, para erradicar o que ele considera ser o último "bastião" do grupo islamita, considerado organização terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia e Israel.
Cerca de 1,5 milhão de palestinos deslocados pelos combates estão amontoados nesta cidade fronteiriça com o Egito, segundo a ONU, e a possibilidade de as tropas israelenses invadirem a área gera crescentes preocupações na comunidade internacional.
- 'Menos que uma lata de feijão' -
Segundo o Exército israelense, Gallant e Austin também falaram "sobre a ameaça que o Irã representa [...]", depois de Israel ser responsabilizado pelo bombardeio de segunda-feira em Damasco.
O ataque na capital síria matou sete membros da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, inimigo de Israel.
As operações israelenses não dão trégua e continuaram nesta quinta-feira no centro de Gaza e em Khan Yunis, no sul. No norte do território, a situação humanitária é extremamente difícil.
"As entregas de farinha demoram e há escassez (...) Também há escassez de verduras, carnes e outros produtos essenciais, como legumes, lentilhas e grão-de-bico", disse um morador da Cidade de Gaza, que preferiu não revelar seu nome.
Segundo um novo estudo da ONG Oxfam, a população do norte da Faixa sobrevive com 245 calorias por dia, ou seja, "menos que uma lata de feijão, o que representa menos de 12% das necessidades calóricas diárias em média".
Após o ataque que matou sete de seus funcionários, a ONG World Central Kitchen, que distribuía refeições diariamente em Gaza, anunciou a suspensão de suas operações, o que aumentou o temor sobre a situação alimentar de quase 2,4 milhões de moradores.
burs-adm/feb/es/zm/fp/mvv/aa
R.Adler--BTB