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Trump diz que cada estado deveria legislar sobre o aborto
O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (8), que as restrições ao direito ao aborto devem ser deixadas nas mãos dos estados, em um esforço para satisfazer a sua base mais conservadora sem deixar de lado os centristas em um tema muito controverso.
"Os estados irão determiná-lo por voto ou legislação ou talvez as duas coisas. O que decidirem deve ser a lei do país, neste caso, a lei do estado", disse Trump em um vídeo publicado em sua rede social, Truth Social.
O candidato conservador, que disputará a eleição presidencial em novembro contra o democrata Joe Biden, se gaba de ter conseguido que a Suprema Corte derrubasse a proteção ao aborto após ter inclinado o tribunal para a direita durante seu mandato.
Em 2022, a Suprema Corte deixou para os estados a possibilidade de legislar sobre o aborto. Desde então, cerca de 20 deles o proibiram ou o restringiram ao extremo.
Biden, a favor do direito a esse procedimento apesar de ser católico, insiste em que se o Congresso tentar aprovar uma proibição federal, ele a vetará.
O presidente respondeu com um comunicado no qual diz que Trump "mente" e que, se pudesse, proibiria a interrupção da gravidez em nível federal.
Para Biden, seu adversário está perdido e tenta de todas as formas evitar que esse tema o afete politicamente. "Ele, mais do que ninguém nos Estados Unidos, é responsável por criar a crueldade e o caos que tomaram o país", declarou.
O republicano não definia claramente sua posição sobre o aborto há semanas, para não prejudicar suas chances nas eleições.
Em fevereiro, o The New York Times publicou que ele havia dito a seus assessores que gostava da ideia de uma proibição federal do aborto a partir das 16 semanas, mas que hesitava em torná-la pública para não incomodar seus apoiadores mais conservadores, que querem um prazo ainda menor.
O grupo antiaborto Susan B. Anthony afirmou estar "profundamente decepcionado" após a declaração do magnata.
O influente senador republicano Lindsey Graham também não concorda com Trump, pois considera que "deveria haver um mínimo nacional" de 15 semanas como limite.
- Exceções -
Desde o veredito de 2022, uma parte do Partido Republicano é a favor de que o Congresso promulgue uma proibição federal após as eleições presidenciais.
Os democratas ganharam desde então uma série de referendos para que o acesso ao aborto seja regulado por leis estaduais.
A Flórida, estado natal de Trump, está prestes a determinar um limite de seis semanas para o procedimento, mas também realizará um referendo em novembro para perguntar aos cidadãos se desejam uma emenda que permita o aborto antes que o feto seja viável.
Em sua mensagem, Trump não mencionou a proibição da Flórida nem se votará a favor ou contra em novembro.
Uma maioria dos americanos acredita que o aborto deveria ser legal na maioria dos casos, segundo pesquisas, e cerca de metade dos estados têm medidas em vigor para proteger seu acesso.
Os democratas descrevem Trump como o arquiteto dos ataques aos direitos reprodutivos e prometem restaurar a proteção em nível nacional se recuperarem o controle do Congresso, onde os republicanos controlam a Câmara dos Representantes.
Os republicanos foram punidos nas eleições de meio de mandato de 2022, nas quais alguns de seus candidatos perderam para rivais que apoiavam o direito ao aborto.
Trump não esclareceu a partir de quantas semanas ele acredita que a interrupção voluntária da gravidez deve ser proibida, mas insistiu em que é "firmemente a favor de exceções para estupro, incesto e se a vida da mãe estiver em perigo".
N.Fournier--BTB