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Coreia do Sul tem eleições legislativas cruciais para o presidente Yoon
A Coreia do Sul celebra eleições legislativas na quarta-feira (10), um pleito considerado crucial para que o presidente Yoon Suk Yeol consiga prosseguir com sua agenda conservadora.
A votação para definir os 300 membros da Assembleia Nacional é vista como um referendo sobre Yoon, que venceu a eleição presidencial de 2022 com a margem mais estreita na história do país.
O Partido Poder Popular, do presidente, espera recuperar o controle do Legislativo, que está nas mãos da oposição desde 2016, o que permitiria promover sua agenda, que inclui a reforma do sistema de saúde, uma política severa com a Coreia do Norte e a promessa de acabar com o Ministério da Igualdade de Gênero.
Mas um triunfo da oposição, como apontam as pesquisas, pode enfraquecer a posição de Yoon, que tem índices reduzidos de aprovação, até o fim de seu mandato em 2027.
"Se o Partido Poder Popular continuar como a minoria depois da eleição (...) a cooperação com a Assembleia Nacional será muito difícil", opina Kang Joo-hyun, professora de Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidade Sookmyung.
Ela destacou que a votação na metade do mandato de Yoon será uma oportunidade para avaliar o governo, assim como a oposição.
Mas a população sul-coreana discute outros temas antes das eleições, incluindo uma greve dos médicos, uma bolsa Dior e cebolinhas.
- Greve médica e bolsa Dior -
O sistema de saúde sul-coreano enfrenta desde 20 de fevereiro uma greve de médicos, o que obrigou os hospitais a cancelar cirurgias e tratamentos.
Os médicos rejeitam as reformas de Yoon, que aumentarão consideravelmente as admissões nas faculdades de Medicina para reduzir a escassez de profissionais do setor.
A reforma de Yoon tem amplo apoio popular e "poderia ajudar o seu partido na votação", afirmou Shin Yul, professor de Ciências Políticas da Universidade Myongji.
Ao mesmo tempo, Yoon enfrenta uma dor de cabeça devido a um escândalo provocado por imagens registradas por câmeras escondidas que mostram a primeira-dama, Kim Keon Hee, recebendo uma bolsa de luxo Dior avaliada em 2.200 dólares (11.000 reais).
O presente viola as leis sul-coreanas que proíbem os funcionários públicos e seus cônjuges de receber qualquer objeto de valor superior a US$ 750 (R$ 3.770).
Yoon chamou o vídeo de "armação política" e afirmou que sua esposa só aceitou a bolsa porque era difícil recusá-la.
- Cebolinha -
O que Yoon não consegue evitar é a insatisfação com a inflação, superior a 3%, e as críticas a sua gestão da economia, que segundo as pesquisas do instituto Gallup são fundamentais nas críticas ao governo.
O presidente visitou recentemente um mercado para observar em primeira mão os preços. Ao se aproximar de uma área com 'cebola verde' (cebolinha), ele comentou: "Já fui a muitos mercados e acho que 875 won (0,65 dólar, 3,37 reais) é um preço razoável".
O preço normal do produto, no entanto, é três ou quatro vezes superior a este valor. A imprensa sul-coreana informou que o estabelecimento comercial visitado havia reduzido o preço antes da visita de Yoon.
O comentário do presidente rapidamente virou objeto de piadas e memes. Além disso, a hortaliça virou um símbolo da oposição, a ponto de a Comissão Nacional Eleitoral proibir que os eleitores a apresentem nos locais de votação.
O ex-deputado Yoo Seung-min declarou em uma entrevista recente que os sul-coreanos votaram em Yoon com a esperança de uma recuperação econômica, mas ficaram decepcionados.
"A declaração equivocada de Yoon sobre a cebolinha adicionou fogo a este sentimento", disse.
O.Bulka--BTB