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Biden surpreende ao afirmar que tio foi devorado por canibais
O presidente Joe Biden causou estranheza ao insinuar que os canibais da ilha de Nova Guiné poderiam ter comido o corpo de seu tio depois que seu avião foi derrubado durante a Segunda Guerra Mundial.
Nesta quinta-feira (18), a Casa Branca e os arquivos oficiais indicaram que, como acontece com muitas lendas familiares, os fatos não coincidem com o relato do presidente.
Biden prestou homenagem ao tio, o tenente Ambrose J. Finnegan, após visitar um monumento em homenagem aos soldados mortos na guerra durante uma viajem de campanha à cidade natal do presidente, Scranton, na Pensilvânia, na quarta-feira.
O presidente, de 81 anos, que tinha um ano quando seu tio morreu em 1944, estendeu a mão para tocar o nome de Finnegan, que está gravado no monumento.
O avião de Finnegan foi "derrubado em Nova Guiné e nunca encontraram o corpo, porque havia muitos canibais, de verdade, nessa parte da Nova Guiné", disse Biden mais tarde a trabalhadores metalúrgicos em Pittsburgh.
O presidente repetiu a história aos jornalistas, acrescentando que o avião foi derrubado "em uma região onde havia muitos canibais na Nova Guiné".
A versão de Biden diverge dos registros de defesa dos EUA.
A agência de Contabilidade de Defesa POW/MIA afirma que o avião de Ambrose Finnegam se dirigia a Nova Guiné em um voo de transporte de correio e se viu "obrigado a pousar no oceano" em frente à costa da ilha "por motivos desconhecidos".
O avião se chocou contra a água e três membros da tripulação não conseguiram sair da aeronave, enquanto um sobreviveu e foi resgatado por um barco que passava pelo local, disse a agência em seu site. Uma busca realizada no dia seguinte não encontrou o rastro do avião desaparecido nem de seus tripulantes, acrescentou.
A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, confirmou que Ambrose Finnegan "perdeu a vida quando o avião militar em que viajava caiu no Pacífico após decolar perto da Nova Guiné", não sobre terra firme.
Mas ela defendeu Biden, dizendo que havia sido "incrivelmente emotivo e importante" para o presidente poder homenagear o tio.
Biden "destacou a história de seu tio" para mostrar seu apoio aos veteranos e marcar um contraste com seu adversário eleitoral, o republicano Donald Trump, que, quando presidente, supostamente menosprezou os militares mortos na guerra ao chamá-los de "perdedores".
Trata-se de um tema importante para Biden, que atribui a morte de seu filho Beau, um veterano da guerra no Iraque, de um câncer cerebral ao sistema de queima militar usado para incinerar resíduos.
Historicamente, foram registrados casos de canibalismo em Papua Nova Guiné, a nação do Pacífico que ocupa a metade oriental da ilha de Nova Guiné, frente à costa norte da Austrália.
I.Meyer--BTB