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Julgamento de Trump: ex-secretária de imprensa relata crise na campanha de 2016
A ex-secretária de imprensa Hope Hicks depôs nesta sexta-feira (3) no julgamento do ex-presidente americano Donald Trump em Nova York sobre uma crise em que ela se viu envolvida durante a campanha do magnata em 2016, após a divulgação de uma gravação em vídeo em que ele se gabava de apalpar mulheres.
Hope foi a primeira pessoa do círculo íntimo do candidato republicano nas eleições presidenciais de novembro próximo a depor no processo histórico, em que Trump é acusado de falsificar documentos contábeis para ocultar o pagamento de 130 mil dólares (R$ 684 mil) à ex-atriz pornô Stormy Daniels, a fim de evitar outro escândalo antes das eleições de 2016.
"Estava um pouco aturdida", disse Hope sobre a gravação, revelada pelo programa Access Hollywood. "Havia um consenso entre nós de que a fita era prejudicial, isso era uma crise."
A ex-secretária de imprensa foi intimada pela promotoria, que argumentou que o pânico gerado pela gravação resultou em um esforço da campanha de Trump para silenciar Stormy por sua intenção de revelar um suposto encontro sexual com Trump, que já era casado.
O pagamento à ex-atriz pornô, que, segundo a acusação, o magnata encobriu como gastos legais de seu então advogado Michael Cohen, motivou o julgamento, no qual um ex-presidente se senta no banco dos réus pela primeira vez na história do país.
Hope Hicks disse que estava nervosa no começo do depoimento, e chorou durante o interrogatório enérgico do advogado de Trump, Emil Bove, o que levou o juiz a ordenar uma interrupção.
- Peça chave -
A ex-secretária de imprensa foi uma peça-chave nas etapas finais da bem-sucedida campanha presidencial de Trump em 2016, à qual ela se uniu quando tinha 26 anos. Aparentemente, ela mantém uma relação cordial com a família Trump.
Hope também relatou hoje ao júri a resposta de Trump a um artigo do Wall Street Journal que afirmava que ele havia tido um caso com a ex-modelo da revista Playboy Karen McDougal, a quem teria feito um pagamento posteriormente. "Ele se preocupava com a reação de sua mulher", Melania, disse a ex-secretária de imprensa.
Trump não respondeu às perguntas sobre Hope feitas pelos jornalistas durante uma pausa no processo.
- Mais multas? -
A audiência de hoje começou com o juiz Juan Merchan se dirigindo a Trump para "esclarecer qualquer mal-entendido" sobre sua ordem que proíbe o magnata de comentar nas redes sociais sobre as testemunhas, o júri e os funcionários do tribunal e seus familiares, geralmente para difamá-los. As repetidas violações dessa ordem resultaram em uma multa de US$ 9 mil (R$ 47 mil) para o republicano.
Merchan lembrou que Trump tem o "direito absoluto de testemunhar" perante o tribunal, e que a ordem "se aplica apenas a declarações extrajudiciais fora dos tribunais".
Vítima de uma "caça às bruxas", como diz, o magnata voltou a lamentar nesta sexta-feira que sua presença obrigatória no julgamento o mantenha afastado de sua campanha eleitoral. Também fez novos ataques contra o juiz, cuja imparcialidade questiona, por "tentar apresentar o caso da forma mais lasciva possível, permitindo testemunhas que nada têm a ver" com o caso.
Além do caso de Nova York, Trump foi acusado em Washington e na Geórgia de conspirar para anular os resultados das eleições de 2020. Também enfrenta acusações na Flórida por manipulação de documentos confidenciais após deixar a Casa Branca.
O processo em Nova York será retomado na próxima segunda-feira.
O.Bulka--BTB