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ELN comemora 60 anos de levante armado na Colômbia
De grupo de estudantes inspirados na Revolução Cubana à guerrilha mais antiga da América: o Exército de Libertação Nacional (ELN) comemora, nesta quinta-feira (4), 60 anos de levante armado na Colômbia.
Com propaganda nas redes sociais e bandeiras penduradas em algumas estradas de cidades remotas, o grupo ilegal comemora o 4 de julho de 1964, dia da sua fundação no auge da Guerra Fria.
O 60º aniversário do ELN, grupo de caráter nacionalista e doutrina marxista-leninista, coincide com as conversações de paz que mantém em meio a reveses com o governo do presidente esquerdista Gustavo Petro, eleito no final de 2022.
Os negociadores reúnem-se em ciclos em Cuba, Venezuela e México, mas os especialistas consideram que a tentativa de desarmar cerca de 5.800 membros da organização caminha muito lentamente.
Algumas crises desencadeadas por ataques de guerrilha contra a população civil e as forças públicas levaram à suspensão dos cessar-fogo. A sua estrutura federada também tem sido um dos maiores empecilhos para avançar rapidamente rumo a um acordo.
Em um vídeo, o comandante do ELN, Antonio García, insistiu nesta quinta-feira (4) nas condições da guerrilha para assinar a paz: “O Exército de Libertação Nacional não vai desistir de sua luta se não houver transformações (sociais) subjacentes”, disse ele.
A guerrilha que nasceu como resposta à injustiça social e com a ideia de tomar o poder sentou-se à mesa com sete governos enquanto se financiava através da extorsão, do roubo de petróleo e do tráfico de drogas.
As seis tentativas anteriores não tiveram sucesso, segundo o ELN, porque a força pública não quer deter a ofensiva, entre outros motivos.
“Se quisermos chegar a um acordo de paz, o Estado deve cessar a intenção, o propósito, de aniquilar a contraparte”, insistiu García.
O ELN nasceu no mesmo ano das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), guerrilha com maior poder militar que se tornou partido político em 2016 após assinar a paz.
Os analistas acreditam que os atuais diálogos entre os “elenos” e o governo Petro são as últimas oportunidades para se alcançar uma solução negociada.
Seis décadas é “um período de tempo muito longo para uma luta que foi infrutífera e que levou a um confronto bélico com níveis muito elevados de degradação humana”, disse o pesquisador Carlos Velandia em sua conta na rede social X.
O conflito entre o Estado e vários grupos armados deixou pelo menos 9,5 milhões de vítimas.
M.Furrer--BTB