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'Não ficarei calada' diante do sofrimento em Gaza, diz Harris após encontro com Netanyahu
A vice-presidente Kamala Harris deu nesta quinta-feira (25) uma reviravolta na política dos Estados Unidos em relação a Gaza, ao pedir ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que alcance um acordo de paz e adverti-lo que não ficará "calada" sobre o sofrimento neste território palestino.
Harris, que lançou sua candidatura à Casa Branca após a desistência do presidente Joe Biden da corrida eleitoral, deixou claro que não seguirá a estratégia do mandatário de 81 anos, que consistia em exercer pressão sobre Israel nos bastidores.
Depois de se reunir com Netanyahu, a vice-presidente afirmou que já era hora de pôr fim à "devastadora" guerra.
"O que ocorreu em Gaza nos últimos nove meses é devastador. As imagens de crianças mortas e de pessoas famintas e desesperadas fugindo em busca de segurança, às vezes deslocadas pela segunda, terceira ou quarta vez", declarou aos jornalistas.
"Não podemos desviar o olhar dessas tragédias. Não podemos nos permitir ficar insensíveis ao sofrimento e não vou me calar", acrescentou Harris, que ainda precisa ser oficialmente nomeada como candidata presidencial na convenção do Partido Democrata em agosto.
A vice-presidente, de 59 anos, disse que a reunião com Netanyahu foi "franca".
"Expressei ao primeiro-ministro minha grande preocupação com a magnitude do sofrimento humano em Gaza, incluindo a morte de muitos civis inocentes", bem como "com a terrível situação humanitária", declarou.
- "Fechar este acordo" -
Ela também pediu a criação de um Estado palestino e instou Netanyahu e o Hamas a aceitarem um acordo de cessar-fogo e a libertação de reféns para pôr fim à guerra desencadeada pelos ataques desse grupo islâmico palestino em 7 de outubro contra Israel.
"Como acabei de dizer ao primeiro-ministro Netanyahu, é hora de fechar este acordo", disse.
A franqueza de Harris contrasta com o aperto de mão efusivo entre Biden e Netanyahu horas antes, embora a relação entre os dois esteja muito tensa há meses.
"De um orgulhoso judeu sionista para um orgulhoso sionista irlandês-americano, quero agradecer-lhe pelos 50 anos de serviço público e pelos 50 anos de apoio ao Estado de Israel", disse Netanyahu em homenagem a Biden.
"E espero ansiosamente falar com você hoje e trabalhar com você nos próximos meses", acrescentou.
Harris tem sido mais franca sobre Gaza no passado e especulou-se que poderia adotar uma abordagem mais dura em relação a Israel, embora fontes governamentais neguem que existam divergências entre ela e Biden.
A Casa Branca estima que Netanyahu não se recusa a um acordo, apesar do acalorado discurso no Congresso dos Estados Unidos na quarta-feira, no qual prometeu uma "vitória total" contra o Hamas.
"O presidente reiterará ao primeiro-ministro Netanyahu que acredita que precisamos alcançar um acordo, e precisamos alcançá-lo em breve", declarou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby.
Biden e Netanyahu se reuniram posteriormente com as famílias dos reféns americanos mantidos em Gaza, muitos dos quais pediram ao líder israelense um acordo de cessar-fogo.
- "Mais otimistas" -
"Provavelmente nos sentimos mais otimistas do que desde a primeira rodada de liberações no final de novembro", afirmou aos jornalistas Jonathan Dekel-Chen, pai do refém americano Sagui Dekel-Chen, após a reunião.
Perto da Casa Branca, um grupo de manifestantes gritou palavras de ordem contra a visita.
Na sexta-feira, Netanyahu terá um encontro com o candidato republicano Donald Trump em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
O ex-presidente instou nesta quinta-feira Israel a "terminar" rapidamente a guerra em Gaza.
Biden se tornou cada vez mais crítico de Israel pelo número de mortes palestinas em sua ofensiva em Gaza e pelas restrições à quantidade de ajuda humanitária que chega ao devastado território.
Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 111 continuam em cativeiro na Faixa de Gaza, incluindo 39 que o Exército acredita que estejam mortas.
A ofensiva militar de Israel contra Gaza matou mais de 39 mil palestinos, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território controlado pelo Hamas.
O.Lorenz--BTB