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Troca de acusações aumenta tensão entre Kamala e Trump
A tensão entre Kamala Harris e Donald Trump aumentava, com uma troca de acusações entre os dois durante a campanha eleitoral americana.
Enquanto a vice-presidente acusou o candidato republicano de arrastar o país para "um passado obscuro", o magnata afirmou que os democratas tiraram Joe Biden da disputa para colocar em seu lugar uma possível candidata "lunática" e "mentirosa".
Em mensagem na rede social X, Kamala disse estar preparada para debater com Trump, e acusou o adversário de recuar após concordar com um debate em 10 de setembro.
Dias atrás, o republicano afirmou que estava "absolutamente disposto" a debater com Kamala, mas ele não concorda com a emissora de TV escolhida.
A troca de acusações entre os dois continuava. O programa dos republicanos "é um plano para devolver os Estados Unidos a um passado obscuro", disse Kamala à Federação Americana de Professores, reunida em Houston.
"Trump e seus aliados extremistas querem levar nossa nação de volta a políticas econômicas fracassadas, à luta contra os sindicatos, à volta das isenções fiscais para os bilionários", acrescentou a candidata democrata, que deve ser oficialmente indicada na convenção do partido em agosto.
A ex-senadora e ex-procuradora de 59 anos defendeu os sindicatos, que "ajudaram a construir a classe média americana".
Os democratas, disse ela, querem educação e saúde para todos e apoiam o controle de armas e o direito ao aborto.
- Apoio latino -
"Nós queremos banir armas de assalto e eles querem banir livros", declarou Kamala.
A democrata publicou nesta quinta seu primeiro vídeo de campanha, no qual clama por "liberdade". Como trilha sonora, usou a canção "Freedom" (Liberdade), de Beyoncé, que raramente cede suas músicas.
E ganhou outro apoio importante, o da sindicalista, feminista e ambientalista Dolores Huerta, muito influente entre os eleitores hispânicos.
"Donald Trump representa um grave perigo para as causas pelas quais lutei durante toda a minha vida. Mas Kamala Harris acredita, como eu, que os Estados Unidos são tão grandes quanto as oportunidades que criamos e as liberdades que proporcionamos a cada americano", diz Huerta em um comunicado.
Assim, Dolores entra para uma longa lista de grupos e congressistas latinos que apostam na vice-presidente.
Por sua vez, Trump, que adora colocar apelidos, a chama de "Kamala, a mentirosa".
Em declarações à Fox News, afirmou que a ex-presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi e o ex-presidente Barack Obama conspiraram nos bastidores contra Biden e o derrubaram.
Pareciam gentis na televisão apoiando Biden, disse o republicano, "mas nos bastidores [...] foram brutais" com ele. "Estavam tentando dar um golpe de Estado", declarou.
Joe Biden explicou na quarta a seus compatriotas que desistiu de se candidatar a um segundo mandato pela "defesa da democracia" e para dar lugar a "vozes jovens", após semanas de pressão dos democratas devido a dúvidas sobre seu estado físico e sua agilidade mental.
- 'Tias dos gatos' -
O republicano, 78, concentra agora seus ataques em Kamala e diz que ela é "pior" do que Biden. Em discurso antiaborto feito ontem, durante um comício na Carolina do Norte, ele a acusou de defender "a execução de bebês".
Seu companheiro de chapa, J.D. Vance, foi criticado hoje pela atriz Jennifer Aniston, por ter falado de "tias dos gatos sem filhos, solitárias e infelizes", referindo-se ao fato de Kamala não ter filhos.
A atriz do seriado "Friends", que reconheceu publicamente ter vivido um calvário tentando engravidar, respondeu ao senador no Instagram: "De verdade, não posso acreditar que isso venha de um potencial vice-presidente dos Estados Unidos."
- 'Czarina da fronteira' -
Vários republicanos, como o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, pediram nesta semana aos membros do partido que se concentrem na trajetória política de Kamala, e não em seu gênero ou cor de pele, informou a imprensa americana.
Com seis votos favoráveis de democratas, os republicanos aprovaram nesta quinta, na Câmara, uma resolução crítica ao trabalho de Kamala Harris como encarregada da luta contra a imigração irregular.
A vice-presidente é chamada de "czarina da fronteira" pelo texto simbólico, que não causará repercussões na política migratória.
Em uma nova pesquisa do New York Times/Siena College, Trump e Kamala estão empatados nas intenções de voto.
C.Meier--BTB