-
Uría Menéndez apoia Estado português na reprivatização da TAP
-
Ordem dos Advogados contesta limite horário e atuação policial em protestos
-
Caixa prevê prêmio superior a R$ 1 bilhão na Mega da Virada
-
Niterói testa pagamento por Pix em três linhas municipais de ônibus
-
Enel instalará 240 painéis solares nas instalações da Clin em Niterói
-
Futebolista espanhol morre após colisão com guarda-redes durante jogo
-
Rio de Janeiro reúne 3,3 mil vagas de emprego, estágio e aprendizagem
-
Senado aprova PEC da Segurança Pública sem baixar maioridade penal
-
Operação contra tráfico no Caniçal termina com três detidos
-
PRF detém homem com drogas escondidas no estepe de carro em Petrópolis
-
Conselho de Estado discute coesão social, habitação, educação e saúde
-
Mercado automóvel cresce 2,4% em outubro e elétricos ganham peso
-
Benfica vence Alverca por 1-0 e continua na perseguição ao FC Porto
-
Debate sobre habitação reacende confronto político em torno da liberdade
-
Coesão nacional depende de políticas públicas e compromisso coletivo
-
Palmelense protagoniza gesto de desportivismo em partida no Seixal
-
Presidente do Racing Power é acusada de agredir agente de arbitragem
-
João Nívea pede maior competitividade e atitude ao Vitória FC
-
Diplomata brasileiro leva experiência de Gaza para missão consular em Lisboa
No Michigan, comunidade muçulmana considera punir Kamala nas urnas
Iman Beydoun El-sayed "sempre foi democrata", mas "já não tem mais tanta certeza". Assim como ela, muitos eleitores americanos de origem árabe que acompanham o conflito no Oriente Médio sentem-se tentados a punir Kamala Harris pelo apoio inabalável da administração de Joe Biden a Israel.
No Michigan, um dos estados mais disputados entre a candidata democrata e o seu adversário republicano Donald Trump, Iman Beydoun El-sayed sai de sua mercearia em Dearborn Heights, perto de Detroit, para recolher doações para o Líbano.
A ONU contabilizou 800.000 pessoas deslocadas desde a intensificação dos ataques israelenses contra o Hezbollah no final de setembro, que deixaram mais de 1.500 mortos.
"Todos temos amigos e familiares entre as vítimas no país", diz a mulher de 37 anos, de origem libanesa e nascida em Detroit. "O fato de nenhum dos candidatos estar realmente falando sobre um cessar-fogo ou de um embargo de armas é bastante frustrante", acrescenta.
Caso ela vote nas eleições presidenciais de 5 de novembro, "provavelmente" depositará seu voto na candidata ambientalista Jill Stein.
Em 2020, 68% de Detroit e seus subúrbios votaram em Biden, contribuindo para sua vitória estreita no Michigan: 150.000 votos a mais que Trump.
Segundo Ronald Stockton, professor aposentado de Ciências Políticas na Universidade de Michigan-Dearborn e especialista em Oriente Médio, a forte comunidade árabe-americana (300.000 pessoas no Michigan) contribuiu "enormemente" para a vitória do democrata.
"Trump irritou-os com suas políticas antimuçulmanas e pró-Israel", explica.
- "Um tapa na cara" -
A história de Dearborn está estreitamente ligada à da indústria automotiva e às ondas migratórias que acompanharam o seu crescimento no século XX. A cidade natal de Henry Ford elegeu seu primeiro prefeito muçulmano em 2022, e as fábricas da montadora ficam próximas à maior mesquita dos Estados Unidos.
A duas semanas das eleições, a raiva é palpável contra a gestão Biden, acusada de apoiar Israel com sua ajuda financeira e militar, e com seus vetos nas Nações Unidas para proteger o seu aliado.
Para Marwan Faraj, um empresário libanês de 51 anos, os democratas ignoraram a mensagem das primárias de fevereiro, quando mais de 100.000 eleitores votaram em branco para protestar contra a sua política no Oriente Médio.
"É um tapa na cara e vamos devolver. Eles apoiaram esta limpeza étnica e este genocídio desde o primeiro dia, com o dinheiro dos nossos impostos", diz ele.
Diferentemente de 2020, quando apoiou Biden, o Comitê de Ação Política Árabe-Americano, uma influente organização política local, pediu à comunidade que não votasse "em Harris ou Trump", que "apoiam cegamente o criminoso governo israelense liderado por extremistas de direita".
Para Ronald Stockton, a raiva vai além da comunidade árabe-americana, razão pela qual "esta guerra é muito perigosa para os democratas".
- "Coração partido" -
Entretanto, algumas vozes alertam para o "risco" de uma possível vitória de Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel quando estava na Casa Branca.
"Não temos escolha senão votar em Kamala Harris", escreveu Ismael Ahmed, um veterano do Partido Democrata local e da causa árabe-americana, em um artigo de opinião para o Detroit Free Press.
"Kamala Harris fez um apelo a um cessar-fogo e a uma solução de dois Estados", enquanto o republicano "recusa-se a reconhecer a ocupação dos territórios palestinos, opõe-se a um Estado palestino independente e apoia fortemente" o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recorda.
Para o imã Mohammad Ali Elahi de Dearborn Heights, os eleitores "se perguntam se poderia ser pior" em Gaza e no Líbano, diz o clérigo nascido no Irã.
"Normalmente, vou de porta em porta para incentivar as pessoas a votar. Mas aqui, se eu lhes disser 'votem', eles me dizem 'eu não me importo, isso não vai mudar nada sobre o genocídio'", afirma Micho Assi, uma ativista democrata de 40 anos.
O.Lorenz--BTB