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Hamas libertará no sábado outras quatro reféns israelenses cativas em Gaza
O Hamas anunciou que libertará no próximo sábado mais quatro mulheres israelenses, mantidas em cativeiro por 15 meses na Faixa de Gaza, em troca de prisioneiros palestinos sob o frágil acordo de trégua com Israel.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumiu o crédito pelo acordo, disse que duvidava que o pacto fosse mantido quando assumiu o cargo para um segundo mandato na segunda-feira.
"Não é nossa guerra, é a guerra deles. Mas eu não confio", disse Trump, que pressionou Israel, aliado de Washington, a concluir um pacto antes de sua posse, e ameaçou o Hamas de transformar sua vida em um "inferno" se não libertasse os reféns.
Após uma troca inicial de três mulheres israelenses por 90 prisioneiros palestinos, Taher al Nunu, funcionário do Hamas, disse à AFP nesta terça-feira que o movimento libertaria outras "quatro mulheres israelenses" no sábado em "troca de um segundo grupo de prisioneiros palestinos".
Segundo o Exército israelense, "entre três e quatro mulheres sequestradas" serão libertadas toda semana.
Das 251 pessoas sequestradas no ataque de militantes islamistas em Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, 91 permanecem presas em Gaza e, destas, acredita-se que 34 tenham morrido, segundo o Exército israelense.
Assim que retornou à Casa Branca, Donald Trump revogou o decreto do seu antecessor Joe Biden que estabelecia sanções aos colonos israelenses acusados de atos violentos contra palestinos na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.
A Autoridade Palestina, que governa o território, criticou a decisão nesta terça-feira, dizendo que encorajaria "colonos extremistas" a cometer "mais crimes".
O Exército israelense lançou uma operação militar em uma zona autônoma de Jenin, na Cisjordânia, para "erradicar o terrorismo", segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A operação deixou seis mortos, segundo a Autoridade Palestina.
- "Apenas ruínas" -
A primeira fase do acordo de trégua prevê a libertação de cerca de 1.900 palestinos presos por Israel em troca de 33 reféns israelenses mantidos em Gaza, além da entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Na segunda-feira, 915 caminhões entraram no enclave palestino, sitiado por Israel desde o início do conflito, segundo a ONU.
Segundo um porta-voz da ONU, nenhum saque ou ataque a comboios foi relatado até agora.
No entanto, há muita incerteza sobre o que virá a seguir, já que a segunda fase do acordo, que incluiria o fim da guerra e a libertação de todos os reféns, deve ser negociada nas próximas seis semanas.
Desde domingo, milhares de moradores de Gaza deslocados internamente pelos conflitos estão retornando para suas casas, muitos encontrando apenas ruínas.
"Não sobrou nada da nossa casa, apenas ruínas, mas é o nosso lar", lamentou Rana Mohsen, 43 anos, retornando a Jabaliya, no norte do território.
Segundo a ONU, a reconstrução do território, onde quase 70% da infraestrutura foi danificada ou destruída, levará até 15 anos e custará mais de 50 bilhões de dólares (302 bilhões de reais).
Se as duas primeiras etapas do acordo ocorrerem conforme o planejado, a terceira e última etapa prevê a reconstrução de Gaza e a devolução dos corpos dos reféns mortos.
O Hamas diz que a trégua depende de Israel "cumprir seus compromissos". O ataque de 7 de outubro deixou 1.210 mortos do lado israelense, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva em Gaza que deixou pelo menos 46.913 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.
M.Ouellet--BTB