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Venezuela elege pela primeira vez autoridades para zona em disputa com Guiana
A Venezuela elegeu pela primeira vez no domingo autoridades venezuelanas para a região de Essequibo, território rico em petróleo e recursos minerais e disputado com a Guiana há mais de um século.
As eleições foram realizadas fora da área em litígio, em uma pequena circunscrição eleitoral de pouco mais de 21.400 habitantes de quatro cidades venezuelanas próximas à fronteira, no estado de Bolívar.
Neil Villamizar é o primeiro governador do recém-criado 24º estado da Venezuela.
O candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) recebeu 4.720 votos, quase a totalidade do eleitorado participante de 32%. Oito deputados e parlamentares regionais também foram eleitos.
"Ele terá total apoio ao seu trabalho, porque o povo de Essequibo o escolheu, para que o povo de Essequibo tenha todos os direitos como povo da Venezuela", comemorou o presidente Nicolás Maduro em um comício com seus apoiadores após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciar os resultados.
A Guiana solicitou à mais alta corte das Nações Unidas que ratifique as fronteiras estabelecidas em uma decisão de 1899.
A Venezuela recorre ao Acordo de Genebra assinado em 1966, antes da independência da Guiana do Reino Unido, que anulou a decisão anterior e estabeleceu as bases para uma solução negociada.
- "Soberania total" -
Villamizar foi comandante da Marinha e muitas vezes se apresentou uniformizado durante a campanha. Ele votou em El Dorado, uma das cidades de Bolívar que escolheu as autoridades de Essequibo.
A cidade com ruas lotadas de motocicletas barulhentas vive do ouro, método de pagamento mais comum.
As eleições foram mais um passo para alcançar a "soberania total" deste território, disse Villamizar à AFP pouco antes de votar.
"Estamos focados nessa tarefa: alcançar, por meios pacíficos, através dos meios estabelecidos nas Convenções de Genebra, a recuperação da plena soberania em Essequibo, em paz, com harmonia, praticando a diplomacia", acrescentou.
Seu adversário, Alexis Duarte, disse: "A Guiana é uma invasora profissional". "Pretende tirar Essequibo de nós porque tem o apoio de algumas corporações transnacionais e de alguns países poderosos."
A Guiana considerou a eleição uma "ameaça" e seu presidente, Irfaan Ali, a descreveu como parte da "propaganda" do chavismo.
A disputa aumentou em 2015, depois que a ExxonMobil descobriu campos de petróleo.
"Irafaan Ali, presidente da Guiana e funcionário da ExxonMobil, mais cedo ou mais tarde terá que se sentar comigo e aceitar a soberania venezuelana", disse Maduro logo após votar.
- "Há muito tempo" -
Em 2023, a Venezuela organizou um referendo sobre a soberania de Essequibo, com uma consulta sobre a criação de um estado venezuelano para o território.
Uma lei aprovada no ano seguinte formalizou o processo e as eleições de domingo determinaram suas primeiras autoridades.
"É o nascimento da nova soberania venezuelana", disse Maduro. "Agora, com um governador lá, com recursos, um orçamento e todo o apoio que darei, vamos recuperar Guiana Essequiba para o povo".
Uma pequena casa acessada por uma estrada de terra era um dos centros de votação em El Dorado. Nos arredores, apoiadores do governo montaram pequenas tendas decoradas com balões amarelos, azuis e vermelhos, as cores da bandeira venezuelana.
Adolfo Torrealba, um comerciante de 62 anos, acredita que a eleição dessas autoridades "deveria ter acontecido há muito tempo".
"Graças a Deus perceberam isso e finalmente teremos um governador aqui e alguém para nos representar", disse após votar.
Villamizar prometeu "bem-estar" aos habitantes com carteiras de identidade venezuelanas, assistência médica e educação.
"Precisamos nos conectar com o povo do território de Essequibo", acrescentou o general aposentado Pompeyo Torrealba, candidato ao Parlamento.
D.Schneider--BTB