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Governo do Peru defende redução de reserva arqueológica das Linhas de Nazca
O governo do Peru defendeu, nesta terça-feira (3), a redução de 40% da extensa reserva onde ficam os geoglifos milenares de Nazca, sob o argumento de que ali não existe patrimônio arqueológico e que os garimpeiros ilegais que invadem a área excluída terão que se regularizar.
Com a medida, publicada há uma semana no diário oficial, a área da Reserva Arqueológica das Linhas e Geoglifos de Nazca, situada 400 km ao sul de Lima, na região de Ica, passou de 5.633 km² para 3.235 km².
"Não há patrimônio arqueológico nem de outro tipo" na área afetada, defendeu, nesta terça, o ministro de Minas e Energia do Peru, Jorge Montero, em uma entrevista coletiva para a Associação de Imprensa Estrangeira.
Segundo as autoridades, na gigantesca área também atuam há meses pequenos garimpeiros ilegais em quantidade indeterminada, que agora terão que solicitar permissões diante da retirada da proteção desse território.
"As pessoas que estão atuando lá precisam regularizar suas atividades de mineração, agora que a área já não é patrimônio e eles já não estão em uma suposta ilegalidade", disse o ministro, que exortou os garimpeiros a se registrarem formalmente.
O garimpo ilegal desatou uma escalada de violência causada pela febre do ouro que tem como epicentro a província de Pataz, cerca de 900 km a nordeste de Lima. Em maio, o governo a declarou em emergência e sob controle militar.
"É muito imprudente" o que afirma o ministro de Minas e Energia para justificar a medida na reserva, assinalou à AFP, por sua vez, Pieter Van Dalen, decano do Colégio de Arqueólogos do Peru.
"Como ele pode saber, sem ser especialista, se há ou não há restos? O recorte não afeta apenas as Linhas, mas também uma série de assentamentos que estão em toda a área", indicou o pesquisador.
As famosas Linhas de Nazca, reconhecidas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, têm aproximadamente 2.000 anos de idade e formam desenhos de figuras geométricas e animais que só podem ser vistos do céu. O primeiro geogiflo foi descoberto em 1927.
Em setembro de 2024, um estudo científico japonês permitiu descobrir em seis meses, com o uso de inteligência artificial, 303 novas formações no deserto de Nazca, quase dobrando o total conhecido dessas linhas misteriosas, anunciou o arqueólogo Masato Sakai, da Universidade de Yamagata.
J.Bergmann--BTB