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Agricultores pedem que França mantenha pressão sobre acordo UE-Mercosul antes de visita de Lula
Profissionais do setor agrícola e deputados pediram ao presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira (4), que mantenha a pressão sobre o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, um dia antes da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Paris.
A França lidera um grupo de países europeus reticentes em assinar um acordo, mas a pressão cresce no bloco para a assinatura do pacto como uma medida para aliviar o impacto da guerra comercial desencadeada pelas tarifas de Donald Trump.
"Ainda há tempo e é agora que temos que dizer não. A visita do presidente Lula não deve mudar o rumo", disse Jean-François Guihard, presidente da associação francesa de produtores de carne bovina e ovina Interbev.
Para o dirigente do setor simbólico na França, Macron deveria aproveitar a oportunidade para expressar sua "firmeza" em relação a Lula e "reafirmar seu compromisso com o comércio internacional baseado em regras justas e sustentáveis".
"Esperamos ser recebidos (...) pelo nosso presidente para reiterar o que estamos dizendo aqui, mesmo com Lula", acrescentou Alain Carre, presidente da associação de produtos de beterraba e açúcar.
A Comissão Europeia, que está negociando em nome da UE, chegou a um acordo comercial em dezembro com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, embora ainda necessite definir qual mecanismo adotará para aprovação e ratificação pelo lado europeu.
Se for confirmado, a UE poderá exportar mais facilmente carros, máquinas e produtos farmacêuticos, enquanto o bloco sul-americano conseguirá exportar mais carne, açúcar, soja, mel, etc. para a Europa.
A França enfrenta forte oposição de seu setor agrícola, que tem sido protagonista de fortes mobilizações nos últimos anos, e exige que as exportações do Mercosul atendam aos mesmos padrões de produção da UE.
Enquanto aguarda o método de ratificação, a França, onde a Assembleia Nacional se opôs ao acordo de forma unânime em janeiro, está buscando aliados na UE para formar uma minoria para bloquear o texto.
"Estamos nos aproximando gradualmente do objetivo", mas "ainda não o alcançamos", declarou o deputado centrista e ex-ministro da Agricultura Stéphane Travert durante uma reunião com representantes do setor e outros legisladores.
A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, disse à AFP que "a minoria de bloqueio não está longe", após conversar com sua contraparte belga no mais recente de seus contatos com seus homólogos europeus.
"E a maioria [a favor do texto] não está garantida", acrescentou Genevard, que lamentou a falta de uma cláusula de salvaguarda para produtos agrícolas como a que "o Brasil obteve (...) para proteger seu setor automotivo".
C.Meier--BTB