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Fundação apoiada pelos EUA fecha centros de ajuda em Gaza
A fundação apoiada por Estados Unidos e Israel que opera locais de ajuda na Faixa de Gaza fechou temporariamente suas instalações nesta quarta-feira (4). O Exército israelense advertiu que as estradas que levam aos centros de distribuição eram "zonas de combate".
O anúncio da Fundação Humanitária de Gaza (GHF) foi seguido de uma série de incidentes mortais perto dos locais de distribuição que opera, o que provocou uma forte condenação das Nações Unidas.
Bombardeios israelenses mataram nesta quarta-feira pelo menos 48 pessoas em Gaza, incluindo 14 em um único ataque a uma tenda que abrigava pessoas desalojadas, informou a Defesa Civil do território palestino.
Um dia antes, 27 pessoas morreram quando tropas israelenses abriram fogo perto de um local operado pela GHF no sul de Gaza. O Exército informou que o incidente estava sendo investigado.
"Os centros de distribuição permanecerão fechados para reformas, reorganização e melhoria da eficiência", afirmou a GHF, uma organização com financiamento opaco. Depois, indicaram que retomariam as operações na quinta-feira.
No último fim de semana, 31 pessoas morreram no mesmo local e em circunstâncias similares, segundo a Defesa Civil da Faixa de Gaza, um território governado pelo Hamas.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou a perda de vidas, e o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou o que chamou de "crimes de guerra".
- Veto dos EUA -
Enquanto Israel está sob pressão internacional crescente, seu aliado Estados Unidos voltou a vetar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que pedia o cessar-fogo e o acesso de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. O projeto, apresentado hoje pelos dez membros não permanentes do Conselho, recebeu 14 votos a favor e apenas o dos Estados Unidos contra.
Israel aliviou recentemente seu bloqueio à Faixa de Gaza, mas, segundo a ONU, toda a população do território continua sob risco de fome.
O marido e os filhos de Rim al Ahkras, mulher que morreu durante uma distribuição de comida, choravam nesta quarta-feira a sua perda. "Como posso deixar você partir, mamãe?", questionava Zein enquanto abraçava o corpo, envolto em um pano branco.
Mohammed al Shaer, 44 anos, que compareceu ao local de distribuição, contou à AFP que "um helicóptero e vários drones começaram a atirar contra a multidão para evitar que se aproximassem dos tanques, o que deixou feridos e mortos".
Em 17 de maio, Israel intensificou a ofensiva na Faixa de Gaza, com o objetivo de libertar os últimos reféns, tomar o controle de todo o território palestino e eliminar o movimento islamista Hamas.
O ataque sem precedentes do Hamas ao território israelense em 7 de outubro de 2023 resultou nas mortes de 1.218 pessoas, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.
Das 251 pessoas sequestradas durante o ataque, 57 continuam em cativeiro em Gaza, das quais pelo menos 34 faleceram, segundo as autoridades israelenses.
A campanha militar israelense de retaliação deixou mais de 54.600 mortos, principalmente civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
G.Schulte--BTB