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Acusado de "ingratidão" por Musk, Trump está "muito decepcionado"
Sua aliança foi espetacular, e sua ruptura promete não deixar nada a desejar. Donald Trump e Elon Musk consumaram nesta quinta-feira (5) seu divórcio como em um reality show: o presidente disse estar "muito decepcionado" e o empresário o acusou de "ingratidão".
"Olha, Elon e eu tínhamos uma ótima relação. Não sei se continuaremos tendo. Fiquei surpreso", disse o presidente republicano a jornalistas no Salão Oval, depois que Musk, até há pouco um de seus assessores mais próximos, qualificou como "abominação" o projeto de lei orçamentária do governo.
O homem mais rico do mundo respondeu ao vivo em sua plataforma de redes sociais, o X, enquanto o republicano ainda dava sua versão diante das câmeras do mundo inteiro.
Ao lado dele, uma testemunha: o chefe de governo alemão, Friedrich Merz, que permaneceu imóvel, em silêncio.
Trump, de 78 anos, atacou o chefe da SpaceX e da Tesla desde os primeiros minutos da reunião com o chanceler alemão.
"Estou muito decepcionado, porque Elon conhecia os meandros desse projeto de lei melhor do que quase todos os que estão sentados aqui (...) De repente, ele coloca um problema", declarou Trump quando perguntado sobre Musk.
Tudo isso menos de uma semana depois de Trump ter demitido, no Salão Oval da Casa Branca, o rosto visível da comissão de eficiência governamental conhecida como Doge, encarregada de cortar os gastos públicos.
Musk, nascido na África do Sul, respondeu com a mesma firmeza. "Falso", disse ele sobre a afirmação de que teria visto o projeto de lei com antecedência.
"Tanto faz", escreveu o homem mais rico do mundo sobre um vídeo em que Trump diz que seu ex-assessor está irritado com a perda de subsídios para veículos elétricos.
Foi além ao dizer que o republicano teria perdido as eleições presidenciais de novembro sem sua ajuda.
Musk foi o principal doador da campanha de Trump, com quase 300 milhões de dólares (R$ 1,68 bilhão, na cotação atual).
"Sem mim, Trump teria perdido as eleições", opinou Musk no X. "Quanta ingratidão", acrescentou.
As ações da Tesla caíram 8% em Wall Street após os comentários, sinal de que os investidores dão como certo o rompimento entre o homem mais rico do mundo e o mais poderoso.
— "Um pouco de maquiagem?" —
Trump explicou a situação aos repórteres em algo que mais parecia uma sessão de terapia do que uma reunião com um líder estrangeiro.
Falou sobre a despedida de Musk no Salão Oval na sexta-feira, quando ele apareceu com um olho roxo devido, segundo ele, a um soco dado por seu filho durante uma brincadeira.
O episódio ocorreu em um momento delicado para Musk, depois que o New York Times revelou que, durante a campanha eleitoral, o empresário consumiu grandes quantidades de ketamina — um anestésico com efeitos estimulantes — além de ecstasy, cogumelos alucinógenos e medicamentos.
"Você viu um homem que estava muito feliz quando estava de pé atrás da escrivaninha oval, mesmo com o olho roxo. Eu disse: quer um pouco de maquiagem? Vamos colocar um pouco de maquiagem", lembrou Trump.
"Mas ele disse: 'Não, não acho que seja necessário', o que é interessante e muito simpático. Ele quer ser quem ele é", prosseguiu.
Trump comentou que podia entender por que Musk está chateado com algumas medidas, como a retirada de um candidato para dirigir a agência espacial Nasa que o magnata da tecnologia havia apoiado.
Posteriormente, a briga continuou com mais munição. Trump chamou de "louco" quem até recentemente considerava seu amigo e o ameaçou com a retirada de contratos com o Estado.
"Elon estava se 'esgotando', pedi que ele fosse embora", disse Trump em sua plataforma Truth Social.
"A forma mais fácil de economizar dinheiro em nosso orçamento, bilhões e bilhões de dólares, é rescindir os subsídios e contratos governamentais de Elon", acrescentou.
A raiva se deve a um megaprojeto orçamentário que Trump chama de "A grande e bela lei". Seu objetivo é continuar as reduções de impostos de seu primeiro mandato (2017–2021).
Musk a qualificou na terça-feira como "abominação repugnante" porque, segundo ele, ela aumentará o déficit dos Estados Unidos.
Na quarta-feira, pediu aos republicanos que "matem o projeto de lei" e apresentem um plano alternativo que "não aumente massivamente o déficit".
J.Bergmann--BTB