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Manifestantes argentinos comemoram rejeição de deputados a vetos de Milei
Milhares de manifestantes celebraram, nesta quarta-feira (17), a rejeição da Câmara de Deputados aos vetos de Javier Milei a leis de financiamento para universidades públicas e o principal hospital pediátrico da Argentina, em um novo revés para o presidente ultraliberal que ainda precisa ser ratificado pelo Senado.
As leis vetadas por Milei no início do mês preveem atualizar o orçamento universitário conforme a inflação desde 2023 e melhorar os salários de docentes e funcionários auxiliares. Também declaram uma emergência sanitária que implica a destinação de fundos sobretudo ao hospital de referência Garrahan.
Em um Congresso onde Milei não tem maioria, os deputados rejeitaram ambos os vetos. Para que as leis entrem em vigor, a oposição agora precisa que o Senado também as rejeite por uma maioria de dois terços.
"Devemos defender os estudantes, os trabalhadores docentes e os não docentes que perderam mais de 30% do poder aquisitivo de seus rendimentos devido à aplicação desta motosserra absolutamente selvagem com a qual governaram neste ano e oito meses", disse o líder do bloco peronista, Germán Martínez.
Após saberem da votação na praça do Congresso, onde ocorria uma das maiores concentrações dos últimos meses, os manifestantes pularam e se abraçaram cantando com euforia "a pátria não se vende".
Os setores de saúde e educação estão entre os mais atingidos pela "motosserra" do presidente, que justifica os vetos alegando que essas leis colocam em risco o equilíbrio fiscal, pedra angular de seu governo.
"Vamos entender que agora estamos propondo um remédio que será pior que a doença", declarou o deputado governista Santiago Santurio. "O dinheiro que entra por um bolso vai sair pelo outro com mais gastos, quebrando impostos, gerando dívidas", acrescentou.
- "O pior já passou" -
Com cartazes como "não ao veto" e "salvemos o Garrahan", milhares de estudantes, professores, médicos e membros de sindicatos acompanharam o debate dos deputados.
"A educação e a saúde estão em risco, é fundamental que tenhamos acesso à educação de qualidade que a Argentina nos proporciona. Não podemos permitir que nos roubem o que conquistamos com tanta luta ao longo da história", disse à AFP Zoe Gómez, de 23 anos e recém-formada em Psicopedagogia pela universidade estatal de San Martín.
Milei apresentou nesta segunda-feira um projeto de orçamento para 2026 que inclui maiores alocações para saúde e educação.
Os reitores universitários consideraram em um comunicado conjunto que este programa "ratifica e agrava o ajuste" porque não prevê compensar os rendimentos perdidos.
O presidente, que em sua mensagem assegurou que "o pior já passou", governa aplicando o orçamento de 2023 apesar da erosão da inflação, que naquele ano foi de 211%; em 2024, de 118%; e até agosto deste ano, de quase 20%.
Milei atravessa seu pior momento político desde que assumiu o poder em dezembro de 2023, após o revés eleitoral nas legislativas da província de Buenos Aires, onde o governo perdeu por 14 pontos frente ao peronismo de centro-esquerda.
O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, que após a eleição provincial emerge para alguns como possível figura central da oposição em substituição à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre pena em prisão domiciliar, comemorou o resultado.
"O povo está de pé e de maneira multitudinária voltou a dizer a Milei que as universidades não se vendem, os hospitais não se desfinanciam e os direitos não se negociam", escreveu no X após a votação.
A Argentina celebrará eleições legislativas nacionais em 26 de outubro.
Além disso, no início de setembro, o Congresso reverteu pela primeira vez um veto presidencial e manteve firme uma lei que concede mais fundos para pessoas com deficiência, uma área sob suspeitas de corrupção que envolvem a irmã do presidente, Karina Milei.
C.Meier--BTB