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Paramilitares dizem controlar cidade do Sudão; ONU pede corredor humanitário
As forças paramilitares do Sudão anunciaram neste domingo (26) que tomaram o controle de El-Fasher, último grande centro urbano de Darfur que ainda não estava sob o seu domínio.
As Nações Unidas pediram a abertura de uma passagem segura para que os civis possam deixar a cidade, onde estão "presos e aterrorizados" com os combates.
As Forças de Apoio Rápido (FAR) afirmaram em comunicado que haviam expandido seu "controle sobre a cidade de El-Fasher, tomando-a dos mercenários e milícias", em referência ao exército sudanês, com o qual estão lutando há mais de dois anos.
A AFP não conseguiu verificar esta afirmação de forma independente, e o Exército e seus aliados não responderam às solicitações de comentários.
A cidade, que também é a capital de Darfur do Norte, está sob o cerco das FAR desde maio de 2024. Segundo a ONU, 260.000 civis, metade deles crianças, precisam de alimentos, água e atendimento médico em El-Fasher.
A tomada da cidade seria um ponto de inflexão importante na guerra travada há dois anos entre o Exército do Sudão e as FAR, que já deixou dezenas de milhares de mortos e levou ao deslocamento de quase 12 milhões de pessoas, no que a ONU considera "a pior crise humanitária do mundo".
Analistas afirmam que a queda da cidade dividiria o país ao meio, com o Exército no controle do norte, leste e centro, e as FAR no domínio de Darfur e parte do sul.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, exigiu na noite de hoje a abertura de um corredor humanitário: "Com os combatentes avançando na cidade e as rotas de fuga bloqueadas, centenas de milhares de civis estão presos e aterrorizados: bombardeados, famintos e sem acesso a alimentos, assistência médica ou segurança."
Desde abril de 2023, a guerra pelo poder entre o general Abdel Fatah al-Burhan, comandante do exército regular e líder de fato do Sudão desde o golpe de Estado de 2021, e o general Mohamed Daglo, à frente das FAR, já deixou dezenas de milhares de mortos.
H.Seidel--BTB