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Presidente da Síria realiza visita histórica à Casa Branca
Ahmed al-Sharaa será recebido por Donald Trump em Washington na segunda-feira (10), a primeira visita de um presidente sírio à Casa Branca e uma consagração para este ex-jihadista, que em menos de um ano, tirou o seu país do isolamento.
A visita, que não ocorreu com Bashar al-Assad ou seu pai Hafez em mais de 50 anos de governo repressivo, abre "um novo capítulo na política americana no Oriente Médio", afirma Nick Heras, do New Lines Institute for Strategy and Policy.
"Trump traz Al-Sharaa à Casa Branca para dizer que ele não é mais um terrorista (...), mas um líder pragmático e, acima de tudo, flexível, que sob a tutela americana e saudita fará da Síria um pilar estratégico regional", explica este analista.
Durante a visita, espera-se que Damasco assine um acordo para se juntar à coalizão internacional anti-jihadista liderada pelos Estados Unidos, antecipou o enviado americano para a Síria, Tom Barrack. Como parte dela, Washington tem tropas há anos no nordeste do país, sob hegemonia curda.
Os EUA também planejam estabelecer uma base militar perto de Damasco, que será fundamental na triangulação da arquitetura de segurança com o vizinho Israel, indicou à AFP uma fonte diplomática na Síria.
No campo econômico, Damasco, que saiu de mais de 13 anos de guerra civil, tenta encontrar fundos para sua reconstrução. Uma tarefa que pode superar amplamente os 200 bilhões de dólares (R$ 1 trilhão, na cotação atual), segundo o Banco Mundial.
Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU suspendeu as sanções contra Al-Sharaa, que antes precisava de uma isenção das Nações Unidas para cada deslocamento internacional.
A resolução, preparada pelos Estados Unidos, elogia o compromisso de "lutar contra o terrorismo" manifestado pelo presidente interino, que há apenas um ano liderava o grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), derivado da franquia síria da Al-Qaeda.
Al-Sharaa e seus homens derrubaram o presidente Bashar al-Assad em 8 de dezembro de 2024, em uma ofensiva relâmpago.
O dirigente interino, que em sua juventude foi jihadista no Iraque - onde foi preso pelos EUA - e na Síria, estava sancionado pela ONU desde 2013.
Mas desde que assumiu o poder, recebeu ministros, líderes e empresários ocidentais e estreitou laços com os países da região, incluindo as ricas monarquias árabes.
Suas equipes abriram negociações com Israel, com quem a Síria continua tecnicamente em guerra, na ausência de um tratado de paz.
Durante uma viagem pelo Golfo em maio, Trump já se reuniu com Al-Sharaa a quem elogiou como "um cara durão" e "lutador", e anunciou a suspensão das sanções americanas contra Damasco.
Uma fonte diplomática síria disse à AFP que Washington tem "a intenção de estabelecer uma base no aeroporto militar de Mazzeh, perto de Damasco, para coordenar a ajuda humanitária e observar os desenvolvimentos entre a Síria e Israel".
Moscou, que abrigou Al-Assad e sua família após sua queda, possui duas bases militares na Síria, a base naval de Tartus e a base aérea de Hmeimim, na costa mediterrânea.
C.Meier--BTB