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Kast arranca como favorito em corrida para 2º turno contra Jara no Chile
Os vencedores do primeiro turno das eleições presidenciais chilenas, Jeannette Jara e José Antonio Kast, iniciaram suas campanhas para o pleito decisivo em dezembro, com o ultradireitista como favorito.
Jara venceu por uma margem de apenas 2,9 pontos percentuais sobre Kast no domingo. Mas o bloco de direita, que competiu com três candidatos de diferentes partidos, obteve mais de 50% dos votos e as pesquisas projetam uma vitória de Kast no segundo turno.
Além disso, será a força majoritária no Congresso bicameral controlado pela centro-esquerda atualmente, durante a legislatura que começa em 11 de março, quando também toma posse o próximo presidente, segundo os resultados oficiais.
Nesse contexto, Jara, de 51 anos, iniciou sua campanha com um comício com mulheres no bairro popular de La Pintana, no sul de Santiago.
No evento, atacou o ultradireitista: "Considero que [Kast] é uma pessoa autoritária que ofende os que pensam de forma diferente."
- 'Dinheiro sujo' -
No primeiro turno, a campanha girou em torno da insegurança, que uma maioria de chilenos vincula à imigração irregular.
Embora seja um dos países mais seguros do continente, a percepção de insegurança cresce entre os chilenos, com índices altos de homicídios e sequestros em comparação ao passado recente.
A extrema direita ganhou terreno com sua proposta de deportação em massa de imigrantes em situação irregular e combate frontal ao crime organizado.
Os homicídios aumentaram 140% na última década, passando de uma taxa de 2,5 a 6 para cada 100.000 habitantes em 2024, segundo o governo. A média na América Latina é de 15 homicídios para cada 100.000 habitantes, de acordo com a ONU.
Nesta segunda, Jara garantiu que vai fortalecer as forças policiais, recuperar os bairros dominados pelo crime organizado e perseguir "o dinheiro sujo" ligado ao narcotráfico mediante o levantamento do sigilo bancário.
"Eu me pergunto, por que Kast se opõe a levantar o sigilo bancário? Quem não deve, não teme", frisou. "Deixo algumas ideias para que vejamos a diferença entre quem tem a mão pesada de verdade", acrescentou.
- 'Sacrifícios' -
Kast, um advogado de 59 anos, escolheu a cidade de Temuco, 800 km ao sul de Santiago, como ponto de partida para sua campanha do segundo turno.
A cidade é capital de Araucanía, uma região militarizada desde 2022 devido à violência de gangues dedicadas ao roubo de madeira, e de alguns grupos de indígenas mapuches, a maior etnia chilena, que reivindicam direitos sobre terras que hoje estão nas mãos de particulares.
O ultradireitista se reuniu com vítimas de ataques incendiários contra bens agrícolas.
"Não queremos enganar ninguém, queremos recuperar o Chile, mas isso vai envolver muitos sacrifícios", afirmou ele em declarações à imprensa.
Nesse sentido, Kast ressaltou que "será difícil que o Chile" volte a ter "fronteiras seguras" e que possa empregar "toda a força e a justiça" para combater "o terrorismo", como ele se refere aos grupos radicais que operam na região.
Kast baseou sua campanha na promessa de deportar 337 mil imigrantes sem documentos e construir um "escudo fronteiriço" com grades metálicas, fossos e mais policiais e militares.
G.Schulte--BTB