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Nasralla tem leve vantagem sobre candidato de Trump em Honduras
O apresentador de TV Salvador Nasralla estava com uma leve vantagem sobre o empresário Nasry Asfura, candidato apoiado por Donald Trump, após a retomada, nesta terça-feira (2), da apuração das eleições presidenciais em Honduras.
Trump, que intervém diretamente nas eleições gerais realizadas no último domingo, alertou para "consequências graves" caso decida-se "mudar os resultados" da disputa presidencial.
A apuração estava parada desde a madrugada de ontem, quando Asfura, do conservador Partido Nacional (PN), aparecia levemente à frente do direitista Nasralla, do Partido Liberal (PL), embora em "empate técnico" segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Às vésperas da votação, Trump ameaçou cortar recursos ao empobrecido país centro-americano caso o candidato apoiado por ele não ganhasse. Ex-prefeito de Tegucigalpa de 67 anos, Asfura também é conhecido como "Tito" ou "Papi", em tem raízes palestinas.
Mas, com a retomada da contagem, Nasralla, 72, tem agora 40,14% dos votos, contra 39,69% de Asfura, após a apuração de 67% das atas eleitorais.
"Os números nos apoiam, vamos proteger essa vitória, porque ela pertence ao povo e ninguém a tira dele. Vamos ganhar!", publicou no X o candidato do PL, de pais libaneses.
Em meio à pressão de Trump, o CNE explicou que a contagem dos votos foi interrompida ontem com 57% das atas apuradas devido a "problemas técnicos" na empresa contratada para a divulgação dos resultados.
"Haverá resultados definitivos e legítimos", afirmou a presidente do CNE, Ana Paola Hall. A declaração do vencedor "vai respeitar de forma escrupulosa a vontade popular expressa" nas urnas.
No comitê de campanha, a euforia tomou conta dos apoiadores de Nasralla, que agitavam bandeiras do PL. "Pedimos aos partidos políticos que mantenham a calma", disse o chefe da missão de observadores da União Europeia, Francisco Assis.
- 'JOH' deixa a prisão -
A intervenção de Washington foi mais longe. O ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão pelo envio de centenas de toneladas de drogas, deixou hoje a prisão, indultado por Trump.
"JOH", como é popularmente conhecido pelas iniciais de seu nome, governou de 2014 a 2022 com o partido de Asfura, e foi acusado pela Justiça americana de transformar Honduras em um "narco-Estado".
"Isso indigna. A decisão deveria ser de um juiz, não de Trump", disse à AFP Nicolle Zepeda, farmacêutica de 31 anos, em um parque da capital Tegucigalpa.
O presidente republicano, no entanto, considera que Hernández foi vítima de uma "armação" de seu antecessor Joe Biden.
"Era um caso de guerra jurídica, uma caça às bruxas. Foi um julgamento manipulado", afirmou em Tegucigalpa Ana García, mulher de Hernández.
O indulto de Trump vai de encontro à sua ofensiva antidrogas no Caribe, com a qual pressiona o presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado da atual governante hondurenha, Xiomara Castro.
- Castigo pelo voto -
As eleições gerais, nas quais também foram eleitos deputados e prefeitos por quatro anos, representaram um castigo para a esquerda, que governa um dos países mais violentos da América Latina, assolado pelo narcotráfico e pela corrupção.
Sua candidata, a advogada de 60 anos Rixi Moncada, do partido Libre, ficou a mais de 20 pontos percentuais dos dois primeiros.
Xiomara Castro chegou ao poder em 2021, mais de uma década após o golpe de Estado contra seu marido, Manuel Zelaya, após se aproximar da Venezuela e de Cuba, o que originou uma polarização inédita entre esquerda e direita.
Ambos basearam suas campanhas na ideia de que a continuidade da esquerda transformaria Honduras em uma nova Venezuela, mergulhada em uma profunda crise, e mostraram-se dispostos a se aproximar de Taiwan, em detrimento da relação com a China.
Em um país com 60% de seus 11 milhões de habitantes vivendo na pobreza e com um longo histórico de fraudes e dívidas sociais, os políticos carregam o desprestígio.
Asfura busca a presidência pela segunda vez após perder em 2021 contra Xiomara Castro, e Nasralla pela terceira vez.
H.Seidel--BTB