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Reis da Espanha visitam local do acidente ferroviário na Andaluzia
Coincidindo com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo Governo, os reis da Espanha visitaram, nesta terça-feira (20), a região da Andaluzia onde dois trens colidiram no último domingo, deixando pelo menos 41 mortos.
Vestidos de preto, o rei Felipe VI e a rainha Letizia chegaram pouco antes das 12h00 GMT (09h00 no horário de Brasília) à cidade de Adamuz, na província andaluza de Córdoba, local do acidente.
Ali, se aproximaram do lugar onde estão os destroços dos dois trens e onde continuam os trabalhos de buscas por mais corpos.
Em seguida, visitaram um hospital de Córdoba para conversar com feridos e seus familiares "com a vontade de lhes transmitir o carinho de todo o país porque foi um impacto muito forte (...), foi um golpe", disse o monarca à imprensa.
Na última atualização de um balanço que ainda pode aumentar, o governo regional da Andaluzia informou, nesta terça-feira, que "o número de mortos subiu para 41, depois de o corpo de uma pessoa ter sido encontrado na noite passada em um dos vagões" do trem da empresa Iryo.
Além disso, "39 pessoas seguem internadas em vários hospitais da Andaluzia, 35 adultos e quatro crianças. Treze pacientes, todos adultos, permanecem na UTI", acrescentaram as autoridades.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, estimou, nesta terça-feira, que o número total de mortos poderia acabar por se assemelhar ao das denúncias de desaparecidos: 43.
"O que precisa ser feito é cruzar os dados das pessoas desaparecidas ou denúncias de desaparecimento com os de mortos, e ontem, pelo menos no final do dia, os números eram mais ou menos os mesmos", explicou ele à rádio Onda Cero.
- Máquinas pesadas para o resgate -
As equipes de resgate tentam, em particular, erguer os vagões de um dos trens, que caíram em um aterro com uma altura de 4 metros.
Para isso, usam vários guindastes.
No domingo, às 19h45, horário local (15h45 no horário de Brasília), os dois trens de alta velocidade que trafegavam em trilhos paralelos colidiram, com aproximadamente 500 passageiros a bordo no total.
Os últimos vagões de um trem operado pela empresa privada Iryo, subsidiária em 51% do grupo estatal italiano Ferrovie dello Stato (Trenitalia), descarrilaram enquanto viajavam de Málaga para Madri.
Dois vagões acabaram nos trilhos adjacentes justamente quando um trem da empresa estatal espanhola Renfe, que viajava na direção oposta, de Madri para Huelva, no sudoeste, estava prestes a passar e colidiu com eles.
- Foco: a falta de um pedaço de trilho -
Após descartar inicialmente o excesso de velocidade dos dois trens, que colidiram em um trecho reto da linha férrea, e um erro humano, as explicações agora se concentram nos trilhos e nos próprios trens.
"O erro humano está praticamente descartado", declarou o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, na segunda-feira, à rádio pública RNE.
Em particular, uma foto tirada pela Guarda Civil, que mostra agentes inspecionando um trilho com um pedaço faltante, alimentou grande parte das especulações.
O ministro Puente afirmou ser muito cedo para saber se o pedaço faltante foi "causa ou consequência" do acidente.
"Há muitas rupturas nos trilhos quando um trem descarrila (...) e há uma ruptura inicial", disse Puente à Onda Cero.
"A questão é determinar — e neste momento nenhum técnico consegue confirmar ou sequer afirmar isso — se a ruptura foi causa ou consequência, e isso não é pouca coisa", enfatizou o ministro.
Puente insistiu em classificar o acidente, ocorrido em um trecho recém-reformado da linha férrea, como "estranho".
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, rechaçou categoricamente a hipótese de uma sabotagem.
"Nunca se pensou na possibilidade da sabotagem, mas em todo momento e em todas as circunstâncias, nas questões técnicas e relativas ao que é o transporte ferroviário", explicou em coletiva de imprensa posterior ao Conselho de ministros.
Emil Johnsson, um cidadão sueco residente na Espanha, contou, emocionado, à imprensa a experiência do acidente, após receber alta de um hospital de Córdoba.
"Uma mulher estava inconsciente do meu lado, e eu e outro homem tentamos ajudá-la. Tinha o rosto coberto de sangue", contou Johnsson à imprensa. Ele disse ter ligado para sua mãe do trem.
"Tudo se rompeu em 2-3 segundos", afirmou.
Santiago Salvador, cidadão português ferido no acidente, explicou em um vídeo no Instagram que a cena do acidente foi um "inferno".
"Saí com minhas próprias pernas", explicou, com o rosto coberto de arranhões e a perna quebrada. "É um milagre eu estar vivo", concluiu.
Em julho de 2013, a Espanha sofreu uma grave tragédia ferroviária quando um trem descarrilou pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela, deixando 80 mortos.
J.Bergmann--BTB