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Cuba confirma 'negociações' com EUA e inicia libertação de presos
Cuba confirmou nesta sexta-feira (13) que mantém conversas com os Estados Unidos, enquanto iniciou a libertação de presos políticos como parte de um acordo com o Vaticano, o histórico mediador entre os dois países.
O presidente Donald Trump não esconde seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, localizada a apenas 150 km dos Estados Unidos. Segundo Washington, ela representa uma "ameaça excepcional", principalmente por suas estreitas relações com Rússia, China e Irã.
Trump instou Cuba a "chegar a um acordo" ou enfrentar as consequências. A ilha enfrenta uma crise energética que paralisou quase completamente sua economia depois que Washington cortou os envios de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, e ameaçou com sanções outros países que vendam combustível ao país.
No entanto, segundo Havana, houve aproximações entre os dois governos.
"Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos", afirmou o presidente Miguel Díaz-Canel em uma reunião com as mais altas autoridades do governante Partido Comunista (PCC, único) e do governo, em imagens divulgadas pela televisão cubana.
Essas conversas buscam "soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações", precisou Díaz-Canel.
Entre os dirigentes, na primeira fila, estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro (2006–2018) e que, apesar de não ocupar nenhum cargo oficial, foi apontado por meios de comunicação dos Estados Unidos como interlocutor do chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, no âmbito de conversas secretas com Cuba.
"Enquanto nos beneficiar, chegamos a um acordo, mas com as nossas condições", comentou à AFP Sergio Guerra, um vendedor de produtos agrícolas de 55 anos.
As declarações de Díaz-Canel confirmam o que Trump havia afirmado, que já em meados de janeiro indicou que seu governo mantinha conversas com altos dirigentes da ilha.
O México, que durante o último mês enviou à ilha mais de 3.000 toneladas de ajuda humanitária, principalmente por navio, saudou as conversas.
"Sempre o México vai promover a paz e o diálogo diplomático e, em particular, diante desta injustiça que há muitos anos se comete contra o povo de Cuba com o bloqueio", disse a presidente Claudia Sheinbaum.
- "Acabou o sofrimento" -
Díaz-Canel disse que os intercâmbios com os Estados Unidos foram facilitados por "fatores internacionais", que não especificou.
Na quinta-feira, seu governo havia anunciado a libertação antecipada de 51 prisioneiros como demonstração de "boa vontade" em relação ao Vaticano.
As primeiras libertações ocorreram nesta sexta-feira. A AFP acompanhou a chegada à sua casa de Adael Leyva Díaz, de 29 anos, que cumpria uma condenação de 13 anos.
Também a de Ronald García Sánchez, de 33 anos, condenado a 14 anos, e vizinho de Díaz, no município de Arroyo Naranjo, ao sul da capital.
Ambos participaram dos históricos protestos antigovernamentais que sacudiram a ilha em 11 de julho de 2021, quando milhares de cubanos saíram às ruas gritando "abaixo a ditadura" e "liberdade".
Leyva Díaz, que chegou em um triciclo elétrico, foi recebido no meio da rua por seus familiares. Assim que desceu do veículo, abraçou e pegou seu filho no colo. "Agora você está aqui comigo, acabou o sofrimento", disse sua mãe, Ivón Díaz, ao abraçá-lo.
Segundo a ONG Justicia 11J, que registra as detenções em Cuba desde as manifestações, havia no país até esta sexta-feira pelo menos 760 presos por razões políticas, incluindo 358 que participaram das mobilizações.
A Igreja Católica atua há décadas como mediadora e canal de diálogo entre Cuba e os Estados Unidos e desempenhou um papel fundamental no degelo das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).
Em 28 de fevereiro, durante uma visita diplomática à Europa, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, foi recebido em audiência pelo papa Leão XIV.
Uma semana antes, o secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, havia se reunido com dois diplomatas americanos: o encarregado de negócios em Havana, Mike Hammer, e o embaixador no Vaticano, Brian Burch.
No final de fevereiro, Trump disse que considerava uma "tomada amistosa" de Cuba. "Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba", declarou.
O.Krause--BTB