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Rebeldes huthis do Iêmen voltam a atacar Israel e entram na guerra no Oriente Médio
Os huthis do Iêmen reivindicaram neste sábado (28) um segundo ataque contra Israel, poucas horas depois do primeiro, o que marca a entrada do grupo rebelde aliado de Teerã no conflito no Oriente Médio, que completa um mês.
A intervenção dos aliados iemenitas do Irã gera preocupação por possíveis alterações nas rotas marítimas do Mar Vermelho, já pressionada pelo bloqueio efetivo iraniano do Estreito de Ormuz.
Durante a guerra recente de Israel em Gaza, os huthis atacaram embarcações no Mar Vermelho, em apoio ao movimento palestino Hamas.
Até este sábado, os rebeldes se mantinham à margem da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que tornou o Mar Vermelho ainda mais vital.
Desde o início das hostilidades, a Arábia Saudita redirecionou grande parte de suas exportações de petróleo para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para evitar o Estreito de Ormuz, que o Irã diz estar fechado ao trânsito de países hostis.
Em comunicado na rede social X, o porta-voz dos huthis Yahya Saree declarou que o grupo rebelde lançou "mísseis de cruzeiro e drones" contra "vários alvos vitais e militares" em Israel.
Mais cedo neste sábado, os rebeldes reivindicaram seu primeiro ataque contra Israel desde o início da guerra.
- 'Concluir os ataques' -
Israel anunciou neste sábado que atacou um centro iraniano de desenvolvimento de armas navais, ao apontar que a instalação desenvolvia "uma ampla gama de armamento naval".
Um jornalista da AFP em Teerã relatou fortes explosões e uma coluna de fumaça preta durante a noite.
Durante a tarde, um nova onda de explosões foi ouvida na capital por vários minutos, sem informação imediata sobre os alvos.
Um porta-voz militar israelense afirmou que as ações contra a indústria militar iraniana foram intensificadas e que, "em poucos dias", serão concluídos "os ataques contra todos os componentes críticos".
"Sinto falta de uma noite de sono tranquila", disse à AFP uma artista que vive em Teerã. Ela acrescentou que os bombardeios da noite anterior foram "tão intensos que parecia que toda Teerã tremia".
- Mediação do Paquistão -
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma onda de ataques aéreos contra o Irã, que provocaram a morte do líder supremo, Ali Khamenei.
Desde então, a guerra se espalhou por toda a região e afeta a economia global, especialmente devido a problemas de abastecimento e à alta dos preços do petróleo e do gás.
O Paquistão, que atua como mediador entre autoridades americanas e iranianas, receberá na segunda-feira, em Islamabad, os ministros das Relações Exteriores de potências regionais como Arábia Saudita, Turquia e Egito para discussões sobre a crise.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, agradeceu a Islamabad "seus esforços de mediação para conter a agressão".
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse esperar "muito em breve" uma reunião direta entre Estados Unidos e Irã no Paquistão.
Na sexta-feira, o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, afirmou acreditar que o Irã manterá conversas com Washington dentro de uma semana.
"Isso pode resolver tudo", disse.
Enquanto isso, o Comando Militar dos Estados Unidos para Oriente Médio (Centcom) anunciou a chegada à região do navio anfíbio USS Tripoli.
Esta embarcação lidera um grupamento naval que inclui "cerca de 3.500" marinheiros y soldados do Corpo de Fuzileiros Navais.
- Transporte no Mar Vermelho -
Com o Estreito de Ormuz praticamente intransitável, muitas cargas que entram e saem do Golfo tiveram que passar pelo porto omanense de Salalah.
No entanto, a gigante dinamarquesa de transporte marítimo Maersk informou que as operações foram temporariamente suspensas após um ataque com drone ferir um trabalhador e danificar um guindaste.
Além disso, um incêndio foi registrado após mísseis e drones iranianos atingirem a Zona Econômica de Khalifa, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ferindo seis pessoas.
A empresa Emirates Global Aluminium (EGA) reportou danos significativos após o ataque.
O tráfego aéreo também tem sido afetado. Neste mesmo sábado, as autoridades do Kuwait e da cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano, relataram danos em instalações aeroportuárias em bombardeios.
No Irã, por sua vez, a produção foi suspensa em uma grande usina siderúrgica no sudoeste após bombardeios americanos e israelenses, segundo um comunicado da Companhia Siderúrgica do Khuzistão, citado pelo jornal Shargh.
A Guarda Revolucionária iraniana advertiu que responderá a qualquer dano econômico com ataques a instalações industriais em toda a região, após já ter feito alertas semelhantes sobre bases militares dos Estados Unidos e hotéis que hospedam tropas americanas.
burs-dc/smw/meb/dbh/ahg/pb/cr/mvl/lm/rpr
H.Seidel--BTB