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A dupla operação dos EUA para resgatar aviadores no Irã
Dezenas de aviões e helicópteros, voando de dia e de noite, e centenas de homens envolvidos para uma operação "extremamente perigosa": resgatar dois aviadores americanos no interior do Irã.
Às 4h40 da sexta-feira (horário de Teerã), soa o alarme: atingido por um míssil terra‑ar portátil, um caça F-15E — de codinome Dude 44 — sofre danos, e seus dois tripulantes ejetam-se sobre território inimigo.
O Exército americano se mobiliza imediatamente para ir buscá-los, custe o que custar.
Os dois militares aterrissam em lugares distintos, em uma região árida e montanhosa do sudoeste do Irã. Em um primeiro momento, só o piloto é localizado.
É iniciada uma primeira operação de busca: 21 aeronaves decolam para irem ao resgate do militar, designado pelo codinome Dude 44 Alpha.
Aviões A‑10, especializados em ataques terrestres, abrem o caminho, atacando os iranianos que também estavam à procura do aviador, detalhou em coletiva de imprensa o chefe do Estado-Maior Conjunto das forças armadas americanas, o general Dan Caine, ao lado do presidente Donald Trump.
Atrás desses aviões, e como revelam alguns vídeos difundidos nas redes sociais, helicópteros HH‑60 voam em altitude muito baixa e em pleno dia, abastecidos por um avião-tanque.
Essas forças são bem-sucedidas no resgate do aviador Dude 44 Alpha.
Porém, conforme reconheceu o general Caine, um dos A‑10 foi atingido por disparos iranianos.
"O piloto seguiu combatendo" antes de decidir "que não podia aterrissar sua aeronave", por isso se ejetou fora do território iraniano e foi resgatado sem problemas.
Durante o trajeto de volta desta primeira equipe, na sexta-feira, os helicópteros foram alvo de disparos de armas leves, um dos aparelhos foi atingido e sua tripulação sofreu ferimentos leves, detalhou o chefe do Estado-Maior Conjunto.
- Presos na areia -
Enquanto isso, o segundo aviador ejetado, de codinome Dude 44 Bravo, "pôs em prática o que havia aprendido e subiu para as áreas montanhosas", enquanto "sangrava abundantemente", para evitar ser capturado pelos iranianos, garantiu Donald Trump.
Escondido em uma cavidade rochosa, "cuidou de suas feridas e fez contato com as forças americanas para transmitir sua localização", acrescentou o presidente americano.
Mediante "recursos humanos e tecnologia de vanguarda que nenhum outro serviço de inteligência no mundo possui", a CIA o localizou e identificou, reportou o diretor desta agência, John Ratcliffe.
A partir daí, Washington mobiliza um "esquadrão aéreo" para resgatá-lo: 155 aeronaves, entre eles quatro bombardeiros, 64 caças, 48 aviões-tanque, 13 aparelhos de resgate e drones.
Mas uma boa parte dessas aeronaves serviu como isca, afirmou Donald Trump. "Queríamos que [os iranianos] acreditassem que ele estava em outro lugar", explicou.
Nenhum dos dirigentes americanos deu detalhes sobre o desenvolvimento exato da operação de comando que permitiu resgatar o aviador.
O que admitiram é que alguns aparelhos mais pesados ficaram "francamente presos" na areia, segundo Trump, e não puderam decolar. Então foi preciso enviar aviões "mais rápidos e leves" para retirar Dude 44 Bravo do Irã.
Durante a partida, "explodimos os aviões" presos para evitar que caíssem nas mãos dos iranianos, explicou o presidente.
Teerã confirmou que dois helicópteros Black Hawk e dois aviões de transporte militar C‑130 tinham sido destruídos; imagens mostram destroços geolocalizados cerca de 50 km ao sul da cidade de Isfahan.
"À meia-noite do Domingo de Páscoa, horário de Washington, mais de 50 horas depois do início desta operação, o Centro de Resgate declarou que os dois aviadores do Dude 44 tinham retornado a território amigo", concluiu o general Dan Caine.
Não houve mortes registradas do lado americano.
Por sua vez, cinco pessoas morreram do lado iraniano durante a operação, segundo a agência Tasnim.
D.Schneider--BTB