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Novos ataques contra o Irã poucas horas antes do fim do ultimato de Trump
O Irã sofreu novos ataques nesta terça-feira (7), que deixaram 18 mortos, poucas horas antes do fim do ultimato anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça destruir instalações civis do país se um acordo não for alcançado para a reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento mundial de petróleo.
No 39º dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que provocou o conflito no Oriente Médio, os iranianos oscilam entre o medo e uma relativa indiferença diante das ameaças do presidente americano.
"Estou aterrorizada e todo mundo neste país deveria estar também", disse à AFP Metanat, uma estudante de 27 anos que afirma ter perdido uma colega de turma em um ataque.
"Alguns ironizam Trump e suas ameaças, mas isto é uma guerra e não tem nada de engraçado", acrescenta.
Morteza Hamidi, um aposentado de 62 anos, expressa "tristeza e pessimismo com o futuro do Irã", mas minimiza o novo ultimato que expira nesta terça-feira às 20h00 de Washington (21h00 de Brasília). "Ele mudou as datas tantas vezes que já estamos insensíveis às ameaças", afirma.
Trump advertiu na segunda-feira que "todo o país poderia ser eliminado em uma única noite" e afirmou que está disposto a atacar as usinas elétricas e as pontes do Irã caso a República Islâmica não libere o tráfego em Ormuz.
Antes da guerra, quase 20% do petróleo mundial trafegava por esta via marítima. O fechamento do estreito provocou a disparada dos preços do petróleo. Nesta terça-feira, o barril do Brent do Mar do Norte para entrega em junho era negociado a 108,17 dólares, enquanto o barril de WTI para maio tinha cotação de 111,78 dólares.
O Exército iraniano criticou a "retórica arrogante" de Trump e afirmou que as declarações do americano "não têm efeito" sobre suas operações.
- Ao menos 18 mortos na região de Teerã -
Apesar dos apelos por uma solução diplomática, Irã e Estados Unidos rejeitaram na segunda-feira uma proposta de mediação apresentada por vários países, entre eles o Paquistão.
O embaixador iraniano no Kuwait, Mohamad Tutunji, pediu aos países do Golfo que façam todo o possível para evitar uma "tragédia", em uma declaração à AFP.
Teerã e suas imediações foram sacudidas nas últimas horas por novas explosões e pelo menos 18 pessoas, incluindo duas crianças, morreram em ataques na província de Alborz, vizinha da capital.
"Confirmamos as mortes de 18 de nossos cidadãos, incluindo duas crianças pequenas", informaram as agências de notícias Mizan e Fars.
O Exército israelense anunciou uma "onda" de ataques para "danificar" infraestruturas na capital e em outras regiões. Também pediu aos iranianos que não viajassem de trem até 21h00 no horário local (14h30 de Brasília), o que antecipa ataques contra a rede ferroviária.
Trump disse que não se preocupa com o risco de cometer crimes de guerra ao destruir instalações de uso civil e, segundo ele, o único "crime de guerra" seria permitir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Segundo o portal de notícias americano Axios, diversos mediadores, entre eles paquistaneses, apresentaram a proposta de um cessar-fogo de 45 dias.
A agência oficial de notícias Irna afirmou que o Irã rejeitou a oferta e exige "o fim dos conflitos na região, um protocolo para o trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz", assim como "a reconstrução e a suspensão das sanções" contra o país.
Segundo o jornal New York Times, o Irã estaria disposto a suspender o bloqueio do Estreito de Ormuz e implementar um pedágio de dois milhões de dólares por navio, que seria dividido com o sultanato de Omã, situado do outro lado da via marítima.
As receitas seriam utilizadas para reconstruir as instalações destruídas pelos ataques israelenses e americanos, em vez de exigir indenizações diretas.
Embora Trump tenha qualificado a proposta de "muito importante", ele disse que ainda é "insuficiente".
O Irã segue atacando diariamente os países do Golfo, acusados por Teerã de ajudar os Estados Unidos.
Na madrugada desta terça-feira, um complexo petroquímico no leste da Arábia Saudita foi atingido por vários ataques, poucas horas após ações similares contra instalações similares no Irã.
O complexo atacado, em Jubail, no leste da Arábia Saudita, abriga um dos maiores polos industriais do mundo, onde são produzidos aço, gasolina, produtos petroquímicos, óleos lubrificantes e fertilizantes químicos.
Paralelamente, na outra grande frente de batalha da guerra, Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah continuam se enfrentando no Líbano. O Exército israelense afirmou nesta terça-feira que concluiu o deslocamento de tropas terrestres ao longo de uma "linha de defesa" no sul do país.
burx-bar/arm/pc/avl/fp-jc
M.Odermatt--BTB