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Ucrânia acusa Rússia de quase 470 violações do cessar-fogo pela Páscoa
O comando militar ucraniano acusou, na noite deste sábado (11), a Rússia de violar repetidamente o cessar-fogo pela Páscoa ortodoxa. O exército relatou cerca de 470 incidentes, entre bombardeios aéreos, ataques com drones e fogo de artilharia.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou o cessar-fogo na quinta-feira, mais de uma semana depois de o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, ter feito a proposta.
O Kremlin indicou que a trégua entraria em vigor neste sábado às 16h (10h no horário de Brasília) e terminaria ao fim do dia de domingo, ou seja, um total de 32 horas.
No entanto, no fim da noite de sábado, o exército ucraniano afirmou em uma publicação no Facebook que “foram registradas 469 violações do cessar-fogo, a saber: 22 ações de assalto inimigas, 153 ataques de artilharia, 19 ataques de drones de combate (...) e 275 ataques de drones FPV”.
A guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa de fevereiro de 2022, já provocou centenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas, o que a tornou o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
No ano passado foi anunciada uma trégua semelhante pela Páscoa ortodoxa, mas os dois lados acusaram um ao outro de descumpri-la.
Vários ciclos de negociações conduzidos sob os auspícios dos Estados Unidos não conseguiram aproximar as partes de um acordo, e o processo ficou ainda mais estagnado com a atenção de Washington voltada para o Irã desde 28 de fevereiro.
- Bombardeios e troca de prisioneiros -
Zelensky declarou em uma mensagem publicada no X que a Ucrânia “respeitará o cessar-fogo”, mas responderá “golpe por golpe” a qualquer violação russa.
Em seu discurso diário, afirmou que seria correto prorrogar esse cessar-fogo e explicou que apresentou essa proposta a Moscou.
Nas horas que antecederam o início oficial da trégua, os dois lados realizaram ataques noturnos com drones.
Na Ucrânia, atingida por pelo menos 160 aparelhos não tripulados, quatro pessoas morreram no leste e no sul do país, segundo Kiev.
Os bombardeios russos também deixaram 14 feridos na região de Sumi, no nordeste do país e na fronteira com a Rússia, e outros 10 em Kramatorsk, na região oriental de Donetsk, de acordo com as autoridades locais.
Do outro lado da fronteira, uma onda de drones lançados pela Ucrânia contra a região russa de Krasnodar, no sul, provocou um incêndio em um depósito de petróleo e danificou vários edifícios residenciais, apontaram as autoridades.
Além disso, duas pessoas morreram em um ataque com um drone ucraniano em territórios da região de Donetsk sob controle russo, segundo as autoridades instaladas por Moscou.
Em paralelo, Ucrânia e Rússia trocaram neste sábado prisioneiros de guerra, com 175 libertados de cada lado.
Além disso, segundo Moscou e Kiev, 14 civis detidos - sete de cada lado - também foram entregues.
- Avanço russo perde impulso -
Nos últimos meses, os combates na linha de frente diminuíram em grande medida, e os ataques com drones passaram a dominar a guerra.
Moscou obteve pequenos ganhos territoriais a um alto custo.
Mas Kiev conseguiu recentemente recuperar terreno no sudeste, e os avanços russos vêm desacelerando desde o fim de 2025, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos.
Além dos contra-ataques ucranianos, os analistas atribuem essa desaceleração à proibição imposta à Rússia de usar os satélites Starlink, da SpaceX, e aos esforços de Moscou para bloquear o aplicativo de mensagens Telegram.
Essa rede de satélites e o aplicativo de mensagens eram amplamente usados pelas tropas para se comunicar, especialmente para coordenar ataques com drones.
A situação, no entanto, é globalmente desfavorável para a Ucrânia na região de Donetsk, segundo o ISW.
A Rússia quer que a Ucrânia retire suas tropas de duas cidades-chave dessa área como parte de qualquer acordo de paz.
Nos últimos dias, a Ucrânia intensificou os ataques contra alvos energéticos russos, especialmente os portos exportadores de petróleo, depois que os preços do petróleo dispararam por causa da guerra no Oriente Médio. Essa alta dos preços beneficia a Rússia, um importante exportador de hidrocarbonetos.
Na prática, as negociações parecem estar em um impasse, já que Moscou exige concessões territoriais e políticas de Kiev, que Zelensky rejeita por considerá-las equivalentes a uma rendição. Entre as demandas russas está a tomada da região oriental do Donbass - Donetsk e Lugansk -, que já controla em mais de 80%.
Moscou ocupa pouco mais de 19% da Ucrânia, o que inclui a península da Crimeia, anexada em 2014.
F.Pavlenko--BTB