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Líbano e Israel se reúnem para suas primeiras conversas diretas em décadas
Representantes libaneses e israelenses devem se reunir nesta terça-feira(14) em Washington, para suas primeiras conversas diretas em décadas. No entanto, a oposição do Hezbollah às negociações deixa poucas perspectivas para alcançar um acordo e encerrar os combates.
O governo dos Estados Unidos, que atua como mediador do encontro, pressiona para deter o conflito entre Israel e o Hezbollah por temer que isso possa prejudicar as negociações com o Irã — conversas que, até o momento, não apresentaram progresso algum, após o fracasso de uma reunião realizada no Paquistão durante o fim de semana.
Washington declarou que "a bola está com o Irã" no que diz respeito ao fim da guerra no Oriente Médio, após os Estados Unidos bloquearem a navegação dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, que Teerã já havia fechado.
O Líbano foi arrastado para a guerra - iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah abriu uma frente de combate contra Israel.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.
O encontro em Washington — o primeiro do tipo desde 1993 — contará com a participação do secretário de Estado Marco Rubio como mediador, ao lado dos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos.
Contudo, as expectativas de quaisquer avanços significativos são baixas, uma vez que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de "submissão e rendição".
O governo israelense descartou a possibilidade de discutir qualquer cessar-fogo com o movimento pró-iraniano, do qual exige o desarmamento.
O presidente libanês, Joseph Aoun, expressou a esperança de que um acordo de trégua possa ser alcançado e que negociações em grande escala possam ter início entre as duas nações, que, tecnicamente, estão em guerra há décadas.
No terreno, moradores de Beirute manifestaram a esperança de que as conversas tragam um fim à violência. "Estamos extremamente cansados", disse Kamal Ayad, de 49 anos. "Já vivemos muitas guerras e queremos descansar."
- Bloqueio naval -
Com as atenções voltadas para o encontro entre Israel e o Líbano, Trump tentou pressionar o Irã com um bloqueio naval e ameaçou afundar qualquer embarcação que tentasse entrar ou sair do Estreito de Ormuz.
Desde a eclosão da guerra, o Irã restringiu drasticamente a passagem por este estreito, por onde em condições normais transitam aproximadamente 20% do petróleo e do gás mundiais.
O comando militar iraniano classificou o bloqueio como um ato de pirataria e alertou que, se a segurança de seus portos "for ameaçada, nenhum porto no Golfo ou no Mar Arábico estará seguro".
Segundo analistas, Trump está tentando privar o Irã de recursos financeiros, mas também impulsionar Pequim — o maior comprador de petróleo iraniano — a exercer pressão sobre Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz.
Por ora, a China considerou o bloqueio como "perigoso e irresponsável".
A Presidência francesa informou que França e Reino Unido devem organizar, na sexta-feira, uma videoconferência entre "países não beligerantes dispostos a contribuir" para uma "missão defensiva" em Ormuz, visando restaurar a liberdade de navegação.
Apesar do aumento nas tensões, o frágil cessar-fogo de duas semanas, acordado na última quarta-feira, permanece em vigor.
Trump afirmou na Casa Branca que representantes iranianos haviam entrado em contato para chegar a um acordo, após negociações infrutíferas em Islamabad. "Recebemos um telefonema da outra parte. Eles gostariam de chegar a um acordo. Com grande urgência", afirmou do lado de fora do Salão Oval.
Duas fontes paquistanesas de alto escalão disseram à AFP nesta terça-feira que Islamabad está trabalhando para reunir Irã e Estados Unidos em uma segunda rodada de conversas.
A televisão estatal iraniana noticiou que o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã "continuará dialogando unicamente no âmbito do direito internacional", durante uma conversa telefônica com seu homólogo francês, Emmanuel Macron.
- Pausa no enriquecimento nuclear -
Trump insiste que qualquer acordo deve incluir uma proibição ao Irã de obter armas nucleares no futuro.
Diversos veículos de comunicação noticiaram na segunda-feira que os Estados Unidos teriam solicitado a suspensão, por 20 anos, do programa de enriquecimento de urânio do Irã.
Teerã propôs suspender suas atividades nucleares por cinco anos, o que foi rejeitado por autoridades americanas, segundo o The New York Times.
Os esforços diplomáticos também se intensificaram em outros lugares, com a chegada do chanceler russo, Sergei Lavrov, a Pequim nesta terça-feira, horas após a agência de notícias estatal iraniana ter informado que ele havia conversado com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez — também em Pequim —, declarou após uma reunião com o presidente Xi Jinping que a China poderia desempenhar um papel "importante" na "busca de vias diplomáticas para pôr fim a esta guerra".
A.Gasser--BTB