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Fortes confrontos em protestos massivos contra presidente da Bolívia
Policiais de choque enfrentaram nesta segunda-feira (18) manifestantes que exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, cercado por bloqueios que mantêm sitiada a capital política da Bolívia há mais de duas semanas.
Apenas seis meses após assumir o poder, Paz está contra as cordas diante de camponeses, operários, mineiros e professores que exigem medidas para enfrentar a pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas.
Com explosivos, pedras e paus, os manifestantes tentaram ao meio-dia entrar na praça de armas, onde fica o Palácio do Governo, constataram jornalistas da AFP.
Protegidos com escudos, centenas de policiais de choque os enfrentaram durante várias horas com gás lacrimogêneo, que cobriu as ruas com uma densa névoa.
"Queremos que ele renuncie por incapaz. A Bolívia está vivendo um momento de caos", disse à AFP Iván Alarcón, um camponês aimará de 60 anos que viajou cerca de 90 km desde Caquiaviri para protestar.
Em plena jornada de distúrbios, a Promotoria anunciou que ordenou a prisão de um dos líderes dos protestos, Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, o maior sindicato do país, por suposta "instigação pública ao delito" e "terrorismo".
Um grupo de manifestantes saqueou uma sede do registro nacional de bens, de onde retiraram móveis, computadores e telas, e incendiaram um veículo policial, segundo imagens divulgadas pelo Ministério do Governo.
A AFP observou pelo menos dois feridos. As autoridades ainda não divulgaram um balanço de detidos, embora a emissora Unitel tenha reportado mais de uma centena. No fim da tarde, a calma retornou à cidade.
- Seguidores de Evo -
O governo acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), foragido em um caso de suposto tráfico de uma menor, de estar por trás dos distúrbios.
Os manifestantes são "operadores políticos que buscam ser a escada" do líder cocaleiro para voltar "ao poder", disse José Gabriel Espinoza à emissora Red Uno.
Uma marcha de apoiadores do ex-presidente chegou a La Paz nesta segunda-feira e se somou aos protestos, após caminhar durante sete dias desde Caracollo, em Oruro, 180 km ao sul de La Paz.
Os partidários do primeiro presidente indígena da Bolívia, que também pedem a renúncia de Paz, temem que seu líder seja preso em breve, refugiado desde 2024 na região cocaleira do Chapare, no centro do país.
Em sua conta no X, Morales manifestou solidariedade aos manifestantes e classificou Argollo e outros dirigentes sindicais como vítimas de uma "brutal perseguição".
O governo "está reprimindo com forças policiais e militares milhares de bolivianos que protestam contra o modelo neoliberal e o Estado colonial", escreveu na rede social.
- "Vendepátria!" -
A Bolívia atravessa sua crise econômica mais grave desde a década de 1980: esgotou suas reservas de dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis e sua inflação anual foi de 14% em abril.
Pouco depois de assumir o poder em novembro, Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas, eliminou esses subsídios, o que aumentou os preços da gasolina e do diesel.
"A Bolívia está passando por um momento crítico com este governo 'vendepátria' que está rifando nossos recursos naturais para as transnacionais", disse à AFP um manifestante que preferiu o anonimato.
Diante da escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis causada pelos bloqueios, militares e policiais conseguiram no sábado abrir temporariamente alguns acessos a La Paz, após confrontos com manifestantes nos quais, segundo as autoridades, um camponês morreu ao cair em uma vala.
Apesar da ação das forças de segurança, os manifestantes retomaram posições no próprio sábado e as estradas de acesso a La Paz continuam bloqueadas. Em todo o país, há pelo menos 32 bloqueios, segundo a estatal Administradora Boliviana de Rodovias.
O governo anunciou que voltará a intervir nas vias ocupadas ao redor de La Paz na manhã de terça-feira durante seis horas para habilitar um "corredor humanitário".
Desde 10 de maio, mobilizou uma ponte aérea de Santa Cruz (leste) e Cochabamba (centro) para La Paz, a fim de levar carnes e vegetais à cidade.
M.Ouellet--BTB