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Ministro israelense provoca indignação com vídeo de ativistas da flotilha com as mãos amarradas
O ministro israelense de Segurança Nacional, de extrema direita, publicou nesta quarta-feira (20) um vídeo que mostra ativistas detidos de uma flotilha com destino a Gaza ajoelhados, com as mãos amarradas e o rosto virado para o chão, o que desencadeou condenações e pedidos para que sejam devolvidos rapidamente.
O vídeo, compartilhado no X pelo provocador ministro israelense Itamar Ben Gvir, foi divulgado depois que as forças israelenses interceptaram os barcos no mar e começaram a deter centenas de ativistas estrangeiros no porto de Ashdod, no sul.
O vídeo suscitou condenação internacional e também dentro de Israel, onde o próprio Ben Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores.
"Israel tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza", declarou Netanyahu em comunicado.
"No entanto, a forma como o ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está em linha com os valores e as leis de Israel". Além disso, Netanyahu pediu que os ativistas sejam devolvidos "o quanto antes".
Sob a mensagem "Bem-vindos a Israel", as imagens mostram dezenas de ativistas no convés de um navio militar, com o hino do país tocando ao fundo, e também já detidos em Israel, onde o ministro agita a bandeira nacional.
Entre as reações de espanto, o chanceler espanhol José Manuel Albares exigiu um "pedido de desculpas" pelo tratamento "monstruoso, desumano e indigno" dado a esses ativistas, entre eles cerca de quarenta espanhóis. O ministro anunciou em Berlim que convocou a representante diplomática de Israel na Espanha.
A França também convocou o embaixador israelense pelos "atos inadmissíveis" do ministro, ao mesmo tempo em que expressou sua "indignação" em uma mensagem no X do chanceler Jean-Noël Barrot.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o chanceler Antonio Tajani também denunciaram o tratamento "inadmissível" dado aos ativistas, entre eles vários italianos "submetidos a um tratamento que atenta contra a dignidade humana", declararam em comunicado conjunto.
A Bélgica convocou a embaixadora israelense e a Alemanha qualificou o tratamento dado aos ativistas como "totalmente inaceitável".
A Turquia denunciou a "mentalidade bárbara" do governo israelense e outros dirigentes multiplicaram seus apelos para que os ativistas sejam retirados o quanto antes de Israel.
- "Abuso e humilhação" -
Trata-se da terceira tentativa em um ano do grupo de romper o bloqueio israelense imposto a Gaza, devastada pela guerra e em grave escassez desde o início do conflito desencadeado em outubro de 2023 por um ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas contra Israel.
De madrugada, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia anunciado que os 430 integrantes da flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 barcos e interceptada na segunda-feira na costa do Chipre, estavam sendo levados para Israel.
O chanceler israelense, Gideon Saar, criticou o vídeo e acusou Ben Gvir de causar "dano conscientemente ao nosso Estado com esta exibição vergonhosa", afirmando ainda que "não é a primeira vez".
"Ele jogou por terra os grandiosos, profissionais e bem-sucedidos esforços realizados por tanta gente [...] Não, você não é a face de Israel", escreveu no X.
Para o movimento islamista palestino Hamas, que governa Gaza, as imagens são uma amostra da "depravação moral" de Israel.
"Afirmamos que as cenas de tortura e humilhação orquestradas pelo ministro sionista criminoso e fascista [Itamar] Ben Gvir [...] são a expressão da depravação moral e do sadismo que regem a mentalidade dos dirigentes da entidade inimiga criminosa", reagiu o Hamas em comunicado.
A ONG Adalah, que representa os ativistas, denunciou, após a divulgação do vídeo, a "política criminosa" de Israel em relação à entrega de ajuda humanitária em Gaza.
"Israel está aplicando uma política criminosa de abuso e humilhação contra ativistas que buscam enfrentar os crimes contínuos de Israel contra o povo palestino", disse a Adalah, cujos advogados foram ao centro de detenção para se reunir com os detidos, em comunicado.
"Tendo zarpado rumo a Gaza para entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio ilegal, esses participantes civis foram sequestrados à força em águas internacionais e levados para território israelense completamente contra sua vontade", disse a Adalah.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a flotilha de fazer propaganda para o Hamas.
W.Lapointe--BTB