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Desaparecimento forçado e morte, o temor persistente pelos presos políticos na Venezuela
Sete anos se passaram desde a última vez que Beatriz Salas ouviu a voz de seu filho, Hugo Marino. O caso se encaixa em um padrão de desaparecimentos forçados de presos políticos na Venezuela denunciado há anos por defensores dos direitos humanos.
O paradeiro de Marino provoca ainda mais preocupação após a revelação da morte de Víctor Hugo Quero Navas, comerciante de 50 anos detido em janeiro de 2025 e cujo falecimento sob custódia do Estado foi mantido em segredo durante nove meses.
Sua mãe, Carmen Teresa Navas, de 81 anos, procurou o filho incansavelmente durante 16 meses, até que, em 7 de maio, o governo comunicou sua morte. Dez dias depois, ela também morreu.
O que aconteceu com Quero é "um caso emblemático e tememos que esse tenha sido o lamentável destino dessas pessoas", afirma Érika Guevara Rosas, da Anistia Internacional.
"Nossa experiência em todo o mundo mostrou que o crime de desaparecimento forçado conduz a outros crimes, como a execução extrajudicial", acrescenta.
A preocupação de que casos como o de Quero se repitam permanece "latente", comenta à AFP Diego Casanova, integrante do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve), organização que estima cerca de 50 desaparecimentos forçados.
No entanto, não há certeza sobre o número total, em parte porque muitas famílias se recusaram a denunciar por medo, afirma Casanova.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, que governa sob pressão dos Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, disse que divulgará os resultados de uma investigação para "esclarecer o que aconteceu" com Quero.
- "Política de Estado" -
Os órgãos de Justiça são obrigados a fornecer informações sobre uma pessoa detida e, após um prazo de 48 horas, realizar uma audiência de apresentação perante um tribunal, explica Oscar Murillo, da ONG Provea.
Além disso, as prisões devem manter listas visíveis com os nomes das pessoas privadas de liberdade para que familiares e defensores possam localizá-las.
No entanto, isso não ocorre na Venezuela. Os familiares são obrigados a percorrer prisões e delegacias sem obter respostas nem acesso a listas de detentos.
Foi o que viveu Carmen Teresa Navas ao peregrinar por várias prisões em busca do filho. Em todas, as autoridades negaram que ele estivesse detido.
Marino Alvarado, também da ONG Provea, afirma que "o desaparecimento forçado se transformou em uma política de Estado na Venezuela".
A Anistia Internacional documentou 17 desaparecimentos forçados na Venezuela em seu relatório de 2025. Desses casos, ao menos 11 continuam sem paradeiro conhecido.
Hugo Marino, nascido em 27 de agosto de 1964, vivia em Miami, nos Estados Unidos. Chegou à Venezuela em abril de 2019 para uma viagem que deveria durar apenas alguns dias. Ele entrou em contato pouco depois de desembarcar no aeroporto de Maiquetía, que atende Caracas. Foi a última vez.
Preocupados com a falta de notícias, seus familiares o procuraram em hospitais, delegacias e necrotérios.
Graças a duas pessoas conhecidas que tinham contatos no governo, a família conseguiu saber que ele havia sido detido por agentes de inteligência.
- "Que me entreguem ele vivo" -
Aos 82 anos, Beatriz Salas diz não perder a esperança de voltar a abraçar o filho. "Eles o levaram vivo e assim têm que me devolvê-lo", clama durante uma videochamada com a AFP.
Desde 20 de abril de 2019, a família de Hugo Marino, de nacionalidade venezuelana e italiana e especialista em localizar aeronaves acidentadas, não parou de procurá-lo.
"Quando uma pessoa desaparece, este regime leva junto toda a família. Destrói quem foi levado e destrói o núcleo familiar", diz Salas, residente nos Estados Unidos.
Há sete anos, o tempo parou para ela, sua nora e seus dois netos.
A busca continua. "Vou levar essa busca comigo até deixar este mundo", afirma.
I.Meyer--BTB