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EUA e Irã confirmam que assinaram acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Irã confirmaram a assinatura de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio e revelaram o texto de seu memorando de entendimento, pelo qual Teerã se compromete a diluir seu urânio enriquecido no marco de futuras negociações.
Trump assinou pessoalmente, nesta quarta-feira (17), uma cópia do acordo, durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, após a cúpula do G7, afirmou à AFP um funcionário americano.
O Irã, por sua vez, lembrou que já o havia assinado eletronicamente e considerou que talvez não seja necessária uma cerimônia na sexta‑feira na Suíça, como havia sido antecipado.
"O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes. Agora é o momento de pôr à prova a implementação desse acordo", declarou o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, citado pela agência Irna.
Ele acrescentou que a assinatura foi feita de forma eletrônica e que uma cerimônia "realmente não faz sentido".
- Memorando de entendimento -
Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento para encerrar o conflito desencadeado em 28 de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, que se estendeu à região e causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. O acordo inclui o front libanês.
O secretário‑geral do grupo xiita libanês pró‑Irã Hezbollah, Naim Qasem, qualificou o acordo como uma "grande vitória" para o Irã, país ao qual agradeceu por ter insistido em incluir o Líbano. Em um discurso televisionado, conclamou a "aproveitar" esse acordo para "expulsar Israel" do país.
O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah disparou, em 2 de março, foguetes contra Israel em apoio ao Irã.
O chefe do Hezbollah também instou o governo libanês a acabar com as negociações diretas com Israel, iniciadas em abril sob os auspícios de Washington. O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assegurado anteriormente que esse processo é "independente" do acordo entre Estados Unidos e Irã.
- Estreito de Ormuz -
O texto, lido por um alto funcionário americano diante de jornalistas, prevê que os Estados Unidos suspendam, a partir da assinatura, suas sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos iranianos.
Washington levantará todas as sanções contra Teerã caso se alcance um acordo definitivo, ao término de um período de negociações de 60 dias.
Durante esses dois meses, os dois países debaterão um mecanismo para tratar das reservas de urânio enriquecido do Irã, no centro das acusações americanas de que Teerã quer desenvolver armas nucleares. Para isso, será utilizado um método de diluição in loco sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Irã deverá permitir, em um prazo de 30 dias, o restabelecimento completo do tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, cujo bloqueio persistente pesa sobre a economia mundial.
Mas, segundo o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o estreito "não voltará à situação anterior à guerra". "O Irã tem direito de soberania sobre Ormuz e, naturalmente, cobraremos um pedágio por esses serviços", declarou na televisão estatal iraniana.
Segundo o memorando de entendimento, o Irã "tomará providências, fazendo todo o possível para garantir a passagem segura dos navios comerciais [pelo estreito], sem qualquer cobrança e apenas durante 60 dias".
Os Estados Unidos comprometem‑se ainda, em caso de acordo definitivo, a facilitar, "com seus parceiros regionais", um fundo de 300 bilhões de dólares (1,53 trilhão de reais) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem que isso implique qualquer participação financeira americana.
- "Oportunidade histórica" -
Em uma declaração conjunta, os membros do G7 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido - celebraram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e abordar as ameaças relacionadas com suas atividades regionais e balísticas".
A China, por sua vez, apontou que é "essencial" que "todas as partes" apliquem escrupulosamente esse acordo e evitem "ingerências" externas, durante uma conversa por telefone entre seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu par iraniano, Abbas Araghchi, segundo Pequim.
O chefe da diplomacia chinesa, cujo país depende em grande medida das importações de petróleo do Golfo, insistiu na necessidade de que a navegação no Estreito de Ormuz seja "gerida adequadamente, respondendo com prudência às profundas preocupações da comunidade internacional".
As cotações do petróleo registraram nesta quarta‑feira uma alta momentânea de 5%, reflexo da inquietação do mercado antes da assinatura do acordo, mas o barril de Brent, referência mundial, encerrou o dia próximo dos 80 dólares.
burs-sst/vla/ad/nn/ic
S.Keller--BTB