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Trump rebate críticas a acordo com o Irã
Donald Trump minimizou nesta quinta-feira (18) as críticas ao acordo firmado com o Irã, considerado amplamente favorável à República Islâmica e que deixa para negociações futuras a questão central do programa nuclear iraniano.
"Esses tolos, que acham que não fui duro o suficiente com o Irã, quando a Bolsa acaba de atingir um RECORDE HISTÓRICO e os preços do petróleo estão 'despencando', são invejosos, pessoas ruins ou estúpidos", escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social.
O acordo, cuja assinatura presencial estava prevista para sexta-feira na Suíça, acabou sendo formalizado à distância.
Trump assinou o documento na noite de quarta-feira, durante um jantar no Palácio de Versalhes ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, como mostra um vídeo publicado na rede X.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou nesta quinta-feira o pacto como "histórico" e também assinou o documento eletronicamente a partir do Irã, informou a chancelaria do país. Já o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o acordo representa "o fracasso dos Estados Unidos" diante do Irã.
O texto estabelece as bases para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos ataques americano-israelenses contra o Irã, que deixaram milhares de mortos.
O memorando prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio afetou a economia mundial, e abre caminho para um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
As conversas também abordarão a suspensão de sanções contra Teerã e o compromisso americano de criar um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares (R$ 1,55 trilhão).
O protocolo prevê ainda um diálogo entre Irã e Omã para "definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz", cláusula que alimenta dúvidas sobre a eventual cobrança de tarifas para embarcações que cruzem a passagem estratégica.
As concessões provocaram críticas nos Estados Unidos, especialmente por envolverem gastos bilionários após a campanha militar e por poderem fortalecer o Irã, apesar de Trump ter defendido inicialmente uma mudança de regime em Teerã.
- Petróleo recua -
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou que Estados Unidos, Irã e os mediadores Paquistão e Catar devem se reunir na sexta-feira para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo.
O encontro ocorrerá em um hotel de luxo em Bürgenstock, com vista para o lago Lucerna.
O texto divulgado por Washington e Teerã prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o fim simultâneo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
Antes da guerra, cerca de um quinto das exportações globais de petróleo passava por essa rota marítima.
Por volta das 11h45 GMT (8h45 em Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte caía 1,37%, para 78,46 dólares (R$ 405), aproximando-se do nível registrado antes do conflito.
No Líbano, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o pacto como uma "grande vitória" para o Irã e agradeceu a Teerã por insistir na inclusão da frente libanesa no protocolo.
Em mensagem televisionada, ele pediu que o acordo seja aproveitado para "expulsar Israel" do território libanês.
Apesar da redução da intensidade dos combates, os confrontos continuam. Um soldado israelense morreu e outros sete ficaram feridos no sul do Líbano na quarta-feira, segundo o Exército israelense. Nesta quinta-feira, um homem morreu em um ataque israelense, informou um veículo estatal libanês.
- Dois meses de negociações -
O memorando prevê que os Estados Unidos suspendam imediatamente as sanções sobre as vendas de petróleo iraniano e retirem todas as restrições caso um acordo definitivo seja alcançado ao fim dos 60 dias de negociações.
Os dois países também discutirão um mecanismo para administrar as reservas de urânio iraniano por meio de "um método de diluição no local sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", medida que Washington considera uma "grande vitória".
A diplomacia iraniana ressaltou nesta quinta-feira que o programa de mísseis do país não fará parte das negociações.
Os países do G7, reunidos na França, saudaram o que chamaram de "oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas".
burs-san/anb/arm/avl/fp/jc/meb/an/lm
A.Gasser--BTB