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Líder supremo do Irã aprova acordo enquanto EUA suspende bloqueio naval
O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, disse nesta quinta-feira (18) que aprovou com ressalvas um acordo assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra no Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos suspendiam o bloqueio aos portos iranianos.
A assinatura do acordo por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, deu início a um período de 60 dias de negociações sobre questões mais amplas entre os dois inimigos, incluindo o programa nuclear iraniano.
Mas há incerteza sobre os próximos passos, e continua indefinido se as duas partes, que não mantêm relações diplomáticas desde a revolução islâmica de 1979, realizarão nesta sexta-feira, na Suíça, a cerimônia de assinatura e as conversas anunciadas anteriormente.
Os preços do petróleo despencaram após a rubrica do acordo, embora as atividades permanecessem limitadas no Estreito de Ormuz, a estratégica via para o transporte da commodity que o Irã bloqueou durante o conflito e que, segundo o acordo, deveria ser reaberto imediatamente.
Mojtaba Khamenei, que se tornou líder supremo depois que seu pai e antigo governante do Irã, Ali Khamenei, morreu em um ataque aéreo no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, disse em um comunicado escrito que aprovou o acordo apesar de ter uma "opinião diferente", sem dar mais detalhes.
"Mas dei minha autorização devido ao compromisso" assumido por autoridades, entre elas Pezeshkian, de "proteger os direitos da nação iraniana". No futuro serão realizadas "negociações cara a cara" com os Estados Unidos, mas isso não "significa aceitar o ponto de vista do inimigo", acrescentou.
Ali Khamenei permitiu repetidas vezes, durante seu mandato, que as autoridades avançassem com negociações sem demonstrar entusiasmo pessoalmente. Seu filho - que, segundo dizem, ficou ferido em um ataque aéreo - ainda não apareceu em público desde que foi nomeado líder supremo.
- Fim do bloqueio -
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos suspenderam nesta quinta-feira o bloqueio naval aos portos iranianos imposto durante a guerra.
O acordo-quadro estabelece as bases para encerrar o conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques israelenses e americanos contra o Irã, que causou milhares de mortes e abalou a economia mundial.
Além disso, abre caminho para um período de 60 dias de negociações detalhadas sobre a diluição do urânio enriquecido da república islâmica.
O vice-presidente americano, JD Vance, declarou que espera viajar à Suíça durante o fim de semana para negociações técnicas, embora tenha advertido que os planos podem mudar. No Irã, a agência Tasnim afirmou que "nada está confirmado" em relação à viagem da delegação iraniana.
- Ceticismo -
Alguns em Teerã expressaram pessimismo quanto às perspectivas de paz. “Não tenho esperança de que este seja um acordo duradouro. Talvez depois dos 60 dias eles voltem a brigar”, disse Mina, de 54 anos, psicóloga de Teerã.
Seu sentimento coincide com o do presidente da França, Emmanuel Macron, que presenciou a assinatura do pacto no Palácio de Versalhes, em um gesto que descreveu como "espontâneo" por parte de Trump. Macron disse que não acredita que a guerra tenha "terminado completamente".
Segundo o texto, Washington se compromete a levantar imediatamente as sanções petrolíferas que paralisam a economia iraniana.
Os dois países também tratarão de um mecanismo para gerir as reservas de urânio iranianas "recorrendo, no mínimo, a um método de diluição in loco sob a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)", uma “grande vitória", segundo Washington.
E, uma vez que seja alcançado um acordo definitivo sobre o programa nuclear do Irã, os Estados Unidos facilitarão a liberação de um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares (1,53 trilhão de reais) apoiado por países da região.
A diplomacia iraniana ressaltou nesta quinta-feira que o poderoso programa de mísseis do país não fará parte das negociações.
Mas as concessões americanas, negociadas ao longo de dois meses com a mediação de países muçulmanos, provocaram fortes críticas em Israel.
"Se eu fizesse parte do gabinete do governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que ainda me resta em todo o mundo", respondeu Vance.
Também houve críticas na imprensa americana, que destaca o uso de bilhões de dólares para a guerra e o possível fortalecimento do Irã, já que Trump começou o conflito defendendo uma mudança de regime em Teerã.
burs-san/anb/arm/avl/fp/jc/meb/am/ic
J.Bergmann--BTB