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Comitê do Senado americano declara Anthony Fauci em desacato
Um comitê do Senado dos Estados Unidos, controlado pelos republicanos, declarou nesta quinta-feira (6) em desacato o principal nome do combate à covid-19 no país, Anthony Fauci, por ter se recusado a responder na semana passada às perguntas dos membros da comissão.
Seguindo o conselho de seus advogados, Fauci invocou o direito constitucional de permanecer em silêncio diante das perguntas hostis de senadores republicanos.
A votação deveria, a princípio, ser examinada pelo plenário do Senado, onde os republicanos têm uma estreita maioria.
O presidente do Comitê de Segurança Nacional e Assuntos Governamentais, Rand Paul, quer, no entanto, encaminhar a resolução diretamente ao Departamento de Justiça, para que adote medidas.
Uma condenação por desacato ao Congresso pode levar o acusado à prisão, como já aconteceu recentemente com dois conselheiros próximos ao presidente Donald Trump, Pete Navarro e Steve Bannon.
O republicano Rand Paul transformou a investigação sobre as origens da covid-19 no eixo de boa parte de seu trabalho como congressista. Na semana passada, ele divulgou, após tê-lo obtido como evidência legal, o diário pessoal de Fauci durante os anos da pandemia.
O cientista, de 85 anos, foi durante décadas a grande figura da luta contra doenças infecciosas nos Estados Unidos e assumiu a coordenação do combate à covid-19 quando a pandemia começou, durante o primeiro mandato de Trump.
Paul e um grupo de republicanos consideram que o diário pessoal de Fauci prova que o cientista compartilhava, no mínimo, as dúvidas sobre a origem da covid, que oficialmente surgiu em um mercado na cidade chinesa de Wuhan.
Fauci, que foi perdoado preventivamente pelo presidente democrata Joe Biden ao final de seu mandato, considera que Paul tem uma obsessão pessoal e que pretendia usar qualquer deslize contra ele. Assim, recusou-se a responder mais de 100 perguntas na audiência do comitê na semana passada.
Paul também persegue Fauci por causa dos milhões em recursos concedidos para testes sobre pandemias altamente perigosas em laboratórios fora dos Estados Unidos, antes da covid-19.
Os democratas rejeitaram em bloco o voto de desacato. A votação foi realizada "sem apresentar um caso sólido de que exista uma base jurídica para declarar o doutor Fauci em desacato", explicou o senador de oposição Gary Peters.
O presidente do comitê considera, por sua vez, que Fauci pode ser condenado pelo Departamento de Justiça, já que o perdão presidencial envolve apenas seus anos como coordenador da luta contra a covid, não seus atos posteriores.
J.Horn--BTB